A Procuradoria-Geral da República solicitou nesta terça-feira ao Supremo Tribunal Federal a condenação dos envolvidos no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, crime que completou seis anos e permanece como um dos casos mais emblemáticos do país. O pedido encerra a fase das alegações finais, última etapa antes do julgamento do processo.
Na manifestação enviada ao STF, a PGR afirma que há provas suficientes para condenar os cinco acusados: Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro; seu irmão, o ex-deputado federal Chiquinho Brazão; o ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa; o major da PM Ronald Alves de Paula; e o ex-policial Robson Calixto, que era assessor de Domingos.
Segundo o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, os réus devem ser responsabilizados por organização criminosa e homicídio. Ele destaca que as investigações e as provas apresentadas durante o processo deixam clara a participação dos acusados na execução da vereadora, de seu motorista e na tentativa de assassinato de Fernanda Gonçalves, assessora que também estava no carro.
Parte fundamental das acusações vem da delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa, que confessou ser o autor dos disparos contra Marielle. Em seu relato, apontou os irmãos Brazão e Rivaldo Barbosa como os mandantes. Barbosa, à época do crime, chefiava a Polícia Civil e teria participado diretamente dos preparativos da execução. Ronald é acusado de ter feito o monitoramento da rotina de Marielle, repassando informações ao grupo. Já Robson Calixto teria sido responsável por entregar a arma do crime a Lessa.
As investigações conduzidas pela Polícia Federal indicam que a motivação do assassinato está ligada ao posicionamento político de Marielle, que contrariava interesses de grupos milicianos e de dominação fundiária na capital fluminense, onde os irmãos Brazão exerciam forte influência.
Apesar das acusações e das evidências apontadas pela PGR, todos os réus negaram envolvimento no crime durante os depoimentos prestados. O caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, a quem caberá definir a data do julgamento. A expectativa é de que o julgamento possa ocorrer ainda este ano, encerrando um capítulo trágico que se arrasta desde 2018 e que mobilizou o país em busca de justiça.
