A Eletrobras registrou prejuízo de R$ 81 milhões no primeiro trimestre de 2025, resultado influenciado por uma revisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que reduziu a base regulatória de ativos da Chesf, subsidiária da companhia. Segundo a empresa, o impacto contábil da medida foi de R$ 952 milhões, comprometendo diretamente o balanço financeiro do período.
Apesar do resultado negativo, a Eletrobras aponta avanços em sua estratégia de tornar a operação mais eficiente. As despesas com pessoal, materiais, serviços e outros (PMSO) recuaram 28% em relação ao último trimestre de 2024 e 8% na comparação anual, reflexo de ajustes na estrutura organizacional e na adequação do quadro de pessoal.
Outro dado considerado positivo pela companhia foi a queda contínua do passivo relacionado aos empréstimos compulsórios, que recuou R$ 2,9 bilhões em comparação com o primeiro trimestre de 2024 e R$ 447 milhões em relação ao último trimestre. Desde a capitalização da empresa, o estoque dessa dívida caiu de R$ 26,1 bilhões para R$ 13,1 bilhões, em um processo de resolução de litígios com consumidores que financiaram a expansão do sistema elétrico brasileiro nas décadas passadas.
O presidente da Eletrobras, Ivan Monteiro, reforçou que o momento é de transição para uma gestão mais ágil e voltada ao crescimento. Segundo ele, os ajustes internos estão sendo acompanhados por um foco contínuo na segurança operacional e na sustentabilidade ambiental.
No campo dos investimentos, a empresa aplicou R$ 912 milhões no primeiro trimestre de 2025 — queda de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior. A redução é atribuída à finalização do parque eólico de Coxilha Negra, no Rio Grande do Sul, que começou a operar em abril com capacidade instalada de 302,4 MW e investimentos totais de R$ 2,4 bilhões.
Outro destaque do período foi o avanço do Linhão Manaus-Boa Vista, que já conta com 87% das obras concluídas. A previsão é de que a interligação entre os sistemas elétricos dos estados de Roraima e Amazonas seja finalizada ainda no segundo semestre, encerrando um impasse de mais de uma década. O projeto totaliza R$ 3,3 bilhões em investimentos e representa um marco para o setor elétrico ao conectar todo o território nacional ao sistema integrado.
