O Ministério Público do Estado do Ceará deflagrou, nesta quinta-feira (22), a 15ª fase da Operação Gênesis, ação de longo alcance voltada ao combate do crime organizado. A ofensiva teve como alvos 12 integrantes de uma facção criminosa de origem paulista, com ramificações na capital cearense. Os investigados foram denunciados por organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte ilegal e comercialização de armas de fogo.
Com apoio do Ministério Público de São Paulo, da Polícia Civil do Ceará e da Secretaria de Administração Penitenciária e de Ressocialização (SAP), foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão expedidos pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas. As diligências ocorreram em unidades do sistema penitenciário do Ceará e de São Paulo.
As investigações conduzidas pelo Gaeco, com suporte da Coordenadoria de Inteligência da Polícia Civil, revelaram, por meio de interceptações telefônicas, um complexo esquema criminoso operado dentro e fora dos presídios. As escutas indicaram que o principal alvo da operação, conhecido como “Geral do Estado” dentro da hierarquia da organização, articulava ordens que envolviam homicídios, tráfico de drogas e armas, além de tomada de decisões estratégicas do grupo. As conversas interceptadas também ajudaram a esclarecer crimes cometidos entre 2016 e 2017.
A Operação Gênesis teve início em 2016, com foco em desarticular redes criminosas ligadas ao tráfico de drogas, armas, homicídios e assaltos na Grande Fortaleza. Desde 2020, quando sua primeira fase foi deflagrada, a operação já resultou no cumprimento de 111 mandados de prisão e 159 mandados de busca e apreensão, atingindo alvos em três estados: Ceará, São Paulo e Paraíba.
Ao longo das 15 fases, a Gênesis desmantelou esquemas envolvendo não apenas integrantes de facções, mas também agentes públicos. Entre os investigados estiveram policiais militares e civis, alguns ainda na ativa, suspeitos de envolvimento direto com o crime organizado. Em diversas etapas, os mandados atingiram alvos ligados ao tráfico, extorsão, corrupção, comércio ilegal de armas e até desmanche de veículos.
As fases anteriores mostraram uma atuação sistemática do MPCE em ampliar o cerco contra essas organizações. Desde mandados contra grupos com atuação em bairros específicos de Fortaleza até ações interestaduais com a prisão de foragidos em outros estados, a operação se firmou como uma das mais amplas ofensivas contra o crime organizado no Nordeste.
Com a nova etapa, o Ministério Público reforça sua estratégia de articulação nacional para atingir facções com conexões interestaduais. O envolvimento de integrantes da cúpula da organização e o uso da estrutura carcerária para gerenciar atividades criminosas reforçam o desafio enfrentado pelas autoridades. A continuidade da Operação Gênesis é considerada fundamental para enfraquecer a articulação das facções que ainda se utilizam de redes interestaduais para manter sua influência ativa.
