O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) denunciou 13 influenciadores digitais por crimes relacionados à promoção de jogos de azar nas redes sociais, como o popularmente conhecido “Jogo do Tigrinho”. A denúncia, apresentada no dia 6 de maio à Justiça Estadual, foi acolhida no último dia 14 pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas, tornando os acusados réus em um processo criminal que aponta uma movimentação financeira superior a R$ 14,3 milhões nos últimos cinco anos.
Segundo o MPCE, os denunciados integravam uma organização criminosa com base em Juazeiro do Norte, na Região do Cariri, que operava entre os anos de 2023 e 2025. Os influenciadores recebiam pagamentos de indivíduos identificados apenas como “chineses”, ainda não localizados, para divulgar plataformas ilegais de jogos de azar e cassinos online em seus perfis nas redes sociais.
Os crimes denunciados
Os 13 influenciadores respondem por uma série de crimes, como integrar organização criminosa, lavagem de dinheiro, estelionato, crime contra a economia popular, contra o consumidor, contra as relações de consumo e exploração de jogos de azar.
Entre os réus estão nomes como Victoria Haparecida de Oliveira Roza, Milena Peixoto Sampaio, Maria Gabriela Casimiro da Silva Fernandes e Tassia Avelina Franklin Leandro — estas últimas apontadas como responsáveis pelas maiores movimentações financeiras. Victoria, por exemplo, movimentou mais de R$ 5 milhões em duas contas bancárias no período entre 2020 e 2024.
Além disso, o Ministério Público requer que cada acusado pague R$ 100 mil ao Estado como forma de reparação por dano moral coletivo, e que três vítimas identificadas sejam indenizadas em R$ 100 mil cada, por danos materiais e morais.
Estilo de vida de luxo
As investigações revelam que, após o início das propagandas dos jogos ilegais, os influenciadores passaram a ostentar um padrão de vida elevado. Compras de veículos de luxo, joias, produtos de grife e viagens frequentes eram financiadas com o dinheiro obtido por meio das práticas ilegais, de acordo com o MPCE.
Defesa alega prisão preventiva desnecessária
A defesa de Janisson Moura Santos, um dos réus, criticou a manutenção de sua prisão preventiva desde 20 de março deste ano. Representado pelos advogados Emetério Neto e Paulo Cézar Machado Filho, Janisson é descrito como réu primário, com bons antecedentes, residência fixa e estudante de graduação em Enfermagem.
“A prisão preventiva está sendo usada de forma absolutamente desnecessária. Não se trata de um crime violento ou com ameaça à pessoa. Existem outras medidas menos gravosas previstas na legislação que poderiam ser aplicadas”, argumentaram os advogados em nota enviada à imprensa.
Segundo a defesa, Janisson é um dos poucos influenciadores no Brasil atualmente presos preventivamente por envolvimento com jogos online como o “Jogo do Tigrinho”.
As defesas dos demais acusados não foram localizadas ou não responderam aos contatos da reportagem até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações futuras e a matéria será atualizada, caso haja resposta.
Ação coordenada contra jogos ilegais
A denúncia faz parte de um esforço maior do MPCE no combate à proliferação de plataformas ilegais de jogos de azar no ambiente digital. A promotoria alerta que influenciadores com grande número de seguidores têm papel central na disseminação desses jogos, muitos dos quais têm causado prejuízos financeiros a consumidores iludidos por promessas de ganhos fáceis.
A investigação segue em curso e novas diligências devem ser realizadas, especialmente na tentativa de identificar os financiadores internacionais da organização criminosa.
