O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta segunda-feira um conjunto de ações voltadas à preservação ambiental marinha, com investimentos que ultrapassam R$ 90 milhões. Os recursos abrangem desde a restauração de ecossistemas insulares até o mapeamento detalhado da costa brasileira, reafirmando o compromisso do país com a conservação da biodiversidade oceânica.
Com R$ 40 milhões, a nova linha de crédito BNDES Biodiversidade – Ilhas do Futuro, Ninhos Protegidos, irá selecionar projetos que atuem na proteção de habitats de aves marinhas e migratórias, especialmente em ilhas oceânicas. O foco está em restaurar áreas afetadas por espécies invasoras, como roedores que destroem ninhos e ameaçam espécies vulneráveis. Instituições sem fins lucrativos podem participar da seleção, desde que apresentem propostas de pelo menos R$ 5 milhões, com possibilidade de financiamento de até 50% do valor pelo banco.
O programa se insere no escopo do BNDES Azul, iniciativa que reúne ações voltadas à sustentabilidade dos oceanos. Ainda nesta segunda, o banco anunciou a ampliação da linha BNDES Corais em mais R$ 43 milhões, voltados à recuperação de recifes de coral. Entre os projetos já contemplados estão iniciativas do WWF, Funbio, RedeMar e outras entidades com atuação ambiental. A primeira fase do programa havia investido R$ 45 milhões. A prioridade é proteger um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta, promovendo qualidade da água, combate à pesca predatória, geração de renda para comunidades locais e ordenamento do turismo sustentável.
Como parte de uma estratégia mais ampla de gestão costeira, o BNDES também firmou contrato de R$ 12 milhões para estudos do Planejamento Espacial Marítimo (PEM) na costa sudeste, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. A iniciativa é parte de um compromisso assumido pelo Brasil na Conferência da ONU para os Oceanos e visa mapear todo o território marítimo nacional até 2030.
O mapeamento já está em andamento nas regiões Sul e Nordeste, e o banco também confirmou nesta segunda o consórcio responsável pela execução do PEM da costa norte, entre Maranhão e Amapá — uma área de grande potencial petrolífero, mas que também abriga rica biodiversidade, exigindo equilíbrio entre exploração econômica e proteção ambiental.
Segundo a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, o mapeamento marinho é uma obrigação internacional do Brasil, além de um passo essencial para compreender os recursos e riscos do território oceânico. Para o presidente do banco, Aloizio Mercadante, as ações mostram que é possível conciliar preservação e desenvolvimento, com base em ciência, planejamento e sustentabilidade.
