CEO da DeepMind alerta para o uso indevido da inteligência artificial em meio a avanço acelerado

A preocupação surge em um momento em que a IA evolui rapidamente e começa a superar humanos em diversas tarefas intelectuais
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Enquanto vozes no setor de tecnologia acendem o alerta sobre os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho, Demis Hassabis, CEO da DeepMind e vencedor do Prêmio Nobel, concentra sua atenção em um risco ainda mais sombrio: o uso malicioso da IA por agentes com intenções perigosas. Durante participação no festival SXSW, em Londres, Hassabis deixou claro que, para ele, o maior desafio está em manter os sistemas avançados sob controle e fora do alcance de quem poderia utilizá-los para causar danos.

A preocupação surge em um momento em que a IA evolui rapidamente e começa a superar humanos em diversas tarefas intelectuais. Ainda assim, Hassabis demonstra otimismo em relação ao potencial transformador da tecnologia — desde que usada de forma ética. “Precisamos restringir o acesso de maus atores, mas permitir que os bons façam coisas incríveis com isso”, afirmou.

Relatos recentes reforçam a urgência de sua fala. O FBI revelou que hackers já utilizam IA para forjar vozes de funcionários do governo dos EUA. O Departamento de Estado americano também alertou para riscos catastróficos à segurança nacional associados à tecnologia. Além disso, a proliferação de pornografia deepfake obrigou o governo a aprovar medidas legais mais duras, como a Lei Take It Down, que criminaliza o compartilhamento de imagens íntimas falsas sem consentimento.

Mesmo com esses sinais de alerta, o avanço segue sem barreiras regulatórias robustas. Em fevereiro, o Google removeu de sua política de IA trechos que proibiam o uso da tecnologia para armamentos e vigilância, num gesto que, para alguns especialistas, representa o afrouxamento de compromissos éticos diante da corrida por liderança no setor — principalmente frente à China.

Apesar do cenário desafiador, Hassabis ainda acredita na possibilidade de um pacto global que defina as bases para o uso responsável da IA. Para ele, o contexto geopolítico atual dificulta esse consenso, mas o avanço contínuo da tecnologia deve forçar o mundo a encarar essa necessidade.

O executivo também compartilhou sua visão de um futuro próximo em que cada pessoa terá um “agente de IA” para executar tarefas cotidianas, desde responder e-mails até recomendar livros, filmes ou novos amigos. Esses assistentes digitais, segundo ele, enriquecerão a vida pessoal ao automatizar o que há de mais repetitivo e permitir que as pessoas se concentrem no que realmente importa.

Em contraste, Dario Amodei, CEO da Anthropic, declarou recentemente que a IA pode eliminar metade dos empregos de entrada no setor administrativo. Mark Zuckerberg, da Meta, também previu que até 2026 metade do código da empresa será escrito por IA. Diante dessas projeções, Hassabis reafirma que o debate não deve se limitar ao medo do desemprego, mas expandir-se para a necessidade de controle, segurança e ética na criação e uso da tecnologia mais poderosa do século.

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