Governo e Congresso buscam saída política para impasse sobre alta do IOF

O clima entre os parlamentares, no entanto, ainda é de apreensão
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Após uma semana intensa de articulações e debates, o governo federal reúne-se neste domingo com líderes partidários na tentativa de construir uma solução para o decreto que elevou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A reunião acontecerá na residência oficial do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e contará com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

O encontro é resultado de intensas negociações que se arrastam há mais de dez dias e deve abrir caminho para a apresentação de um pacote legislativo com diferentes frentes: um projeto de lei, uma proposta de emenda à Constituição (PEC) e, possivelmente, uma medida provisória. A ideia do governo é finalizar a costura das medidas até segunda-feira e submetê-las à análise do Congresso na terça.

O clima entre os parlamentares, no entanto, ainda é de apreensão. Neste sábado, Hugo Motta voltou a criticar as isenções fiscais concedidas pelo Estado, classificando-as como insustentáveis e carentes de retorno à sociedade. Em evento com empresários e políticos em Guarujá, Motta defendeu um debate mais aprofundado sobre os benefícios tributários em vigor, reforçando a necessidade de critérios mais claros e de uma avaliação contínua sobre os resultados gerados por essas renúncias.

O presidente da Câmara também voltou a levantar a bandeira da reforma administrativa, apontando a modernização da máquina pública como essencial para melhorar a qualidade dos serviços prestados à população sem aumento de gastos. Apesar disso, ele evitou apresentar detalhes sobre possíveis propostas a serem discutidas.

Questionado por jornalistas após o evento, Motta não descartou a possibilidade de incluir na pauta da Câmara, já nesta terça-feira, um projeto de decreto legislativo que revogue a alta do IOF. A decisão, segundo ele, dependerá diretamente das medidas que serão apresentadas pelo governo na reunião de domingo.

Por sua vez, o ministro Fernando Haddad tem sinalizado que parte do decreto pode, sim, ser revista, desde que haja compensações fiscais suficientes para manter o equilíbrio orçamentário. Ele ressaltou que está juridicamente limitado pelas exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal e do novo arcabouço fiscal, o que torna inviável qualquer alteração imediata sem que novas fontes de receita estejam asseguradas.

O cenário se mostra delicado e requer habilidade política para que Executivo e Legislativo encontrem um consenso. A pressão sobre o governo para rever a alta do IOF cresce, enquanto se busca garantir a sustentabilidade das contas públicas sem comprometer os compromissos legais e fiscais do país. A reunião deste domingo pode ser decisiva para destravar o impasse e dar novo rumo à estratégia econômica do governo.

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