O mel produzido no Ceará segue conquistando espaço no mercado internacional. De janeiro a abril deste ano, o estado exportou 776,4 toneladas do produto para os Estados Unidos, o que representa 93% de toda a venda externa de mel cearense no período, segundo dados do Comex Stat.
Apesar da forte concentração no mercado norte-americano, o setor de apicultura do Ceará também está de olho na expansão para a Europa. Em 2025, países como Itália e Reino Unido já realizaram compras do mel cearense, ainda que em volumes menores. Ao todo, o estado conta atualmente com 1.580 apicultores em atividade.
A expectativa do setor é ambiciosa: atingir a marca de até 5 mil toneladas de mel exportadas até o fim de 2025. A projeção foi apresentada pelo engenheiro agrônomo Lauro Torres de Melo, técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-CE), durante a PEC Nordeste. Segundo ele, os números definitivos da safra deste ano só serão conhecidos após o período da segunda florada, com destaque para as floradas do Juazeiro e da Aroeira.
“Hoje, talvez já tenhamos uma produção maior do que a do ano passado, mas não podemos fechar a conta ainda”, explicou Lauro, destacando que a produção depende diretamente das condições climáticas e do ciclo das floradas.
O especialista também ressaltou o papel crescente da profissionalização no setor. “O produtor hoje está satisfeito porque agora ele não é mais apenas um criador. A nossa ideia é que ele seja um empreendedor. A apicultura tem lhes dado esse espaço”, afirmou.
O mel cearense exportado passa por um rigoroso processo de purificação após ser colhido das colmeias. Utilizando centrífugas, os produtores removem impurezas antes de embalar o produto em tonéis de 20 a 25 quilos para exportação — feita exclusivamente via transporte marítimo.
Além dos Estados Unidos, países como Canadá, Singapura, Reino Unido, Ilhas Marshall, Libéria e Itália estão entre os compradores do mel cearense em 2025.
Apicultura: um dos setores mais lucrativos do agro
Com o quilo do mel sendo produzido a um custo médio de R$ 3 e podendo ser vendido por até R$ 15, a apicultura se tornou um dos segmentos mais lucrativos do agronegócio cearense, segundo Lauro Torres de Melo. “Agora nós temos que ter a consciência de profissionalizar o segmento. O nosso produtor precisa ir, também, para a parte de gerenciamento. Hoje ele é um empreendedor, mas o próximo passo é se tornar empresário”, defendeu.
O Senar-CE oferece apoio a esses produtores por meio do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), com treinamentos em manejo de colmeias, produção de abelha-rainha, produção de cera e práticas sanitárias e alimentares, fortalecendo ainda mais a cadeia produtiva do mel no estado.
Com alto potencial de crescimento, profissionalização crescente e apoio técnico, o mel cearense parece ter encontrado nas exportações o caminho para se consolidar como produto de destaque da agricultura estadual.
