A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, criticou duramente o envio de tropas federais ordenado pelo ex-presidente Donald Trump em meio aos protestos contra sua política de imigração. Em entrevista coletiva nesta terça-feira (10), Bass afirmou que a medida foi tomada sem consentimento da prefeitura nem do governo estadual, e classificou a ação como desnecessária e provocadora.
“Não tenho ideia do que os fuzileiros navais farão aqui. As pessoas me perguntam, e essa é uma boa pergunta. Também não sei responder”, disse a prefeita, ao comentar a chegada de 700 fuzileiros e 4.100 soldados da Guarda Nacional à cidade. A movimentação, segundo ela, aconteceu quando os protestos já estavam diminuindo.
A mobilização militar ocorre após confrontos entre manifestantes e autoridades federais no centro de Los Angeles. Desde a última sexta-feira, milhares de pessoas saíram às ruas em resposta às ações federais de repressão à imigração. Segundo a Polícia de Los Angeles, 113 pessoas foram presas apenas na segunda-feira. No mesmo período, agentes federais detiveram ao menos 44 imigrantes.
Bass destacou que o envio das tropas, além de não ter sido solicitado, tem objetivo de intimidação e caos. “No sábado, Trump elogiou o trabalho da Guarda Nacional aqui, mas eles só chegaram no domingo. Isso tudo visa apenas gerar medo e desorganização. A população de Los Angeles — e nossas tropas — não merecem isso”, declarou.
A prefeita afirmou ainda que pretende ligar para o ex-presidente para pedir que os ataques à cidade cessem. “Quero dizer a ele que Los Angeles é uma cidade de imigrantes. Se o objetivo é devastar nossa economia, então continue atacando nossa população”, disse.
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, também se posicionou contra a intervenção federal, chamando a medida de inconstitucional. Na segunda-feira, entrou com uma ação judicial contra o governo Trump, contestando o envio das tropas sem o aval estadual. Esta é a primeira vez desde 1965 que tropas da Guarda Nacional são mobilizadas em um estado sem a autorização do governador.
Para Karen Bass, a cidade se tornou um experimento político. “Se eles conseguem fazer isso com a segunda maior cidade do país, talvez queiram mostrar que podem agir da mesma forma em qualquer lugar. Que o governo federal, em vez de proteger as pessoas, pode simplesmente assumir o controle.”
Apesar do clima de tensão, a prefeita afirmou que não há previsão de novos protestos de grande escala, embora um comício possa ocorrer ainda hoje. Segundo ela, a prefeitura acompanha os desdobramentos e reforça o apelo para que as manifestações ocorram de forma pacífica.
