Mesmo com a regulamentação do setor de apostas online em vigor no Brasil desde o início de 2025, a maioria dos apostadores segue utilizando plataformas ilegais. Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Locomotiva nesta quinta-feira (12) revelou que 61% dos entrevistados apostaram em sites irregulares neste ano, muitas vezes sem perceber os riscos envolvidos.
O levantamento, realizado entre abril e maio com dois mil brasileiros adultos que fazem apostas, mostra que a dificuldade em distinguir plataformas autorizadas das ilegais é um dos principais problemas. Quase 80% afirmam não saber identificar corretamente os sites legais, enquanto 46% relataram já terem feito depósitos em plataformas que depois foram identificadas como falsas ou irregulares.
A vulnerabilidade é ainda maior entre pessoas com menor escolaridade e renda, que desconhecem os mecanismos de proteção das casas de apostas regulamentadas. Entre as práticas mais comuns dos operadores ilegais estão o uso de nomes semelhantes a marcas licenciadas, a troca frequente de endereços eletrônicos e a propaganda descontrolada por meio de influenciadores, muitas vezes prometendo lucros fáceis.
Além de representar um risco para os consumidores, o mercado ilegal provoca perdas bilionárias para os cofres públicos. O estudo “Fora do Radar”, elaborado pela LCA Consultores com base na pesquisa do Instituto Locomotiva, estima que entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2,7 bilhões deixaram de ser arrecadados em impostos apenas nos primeiros três meses do ano. A perda pode chegar a R$ 10,8 bilhões em um período de 12 meses, caso a ilegalidade permaneça no atual ritmo.
A situação é vista com preocupação por especialistas do setor. Para Fernando Vieira, presidente executivo do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, o aumento da carga tributária para as empresas regulamentadas, anunciado após o início das operações legais, minou a confiança dos operadores e estimulou a migração para plataformas irregulares. Segundo ele, todos perdem: o apostador fica sem segurança, o governo perde receita e o mercado formal se vê desestimulado.
Já Eric Brasil, diretor da LCA Consultores, afirma que o combate às apostas ilegais deve ser prioridade, por seus efeitos amplos na economia e na proteção social. Ele defende uma ação coordenada entre governo, empresas e sociedade para garantir um ambiente mais seguro e sustentável.
Para apostar com segurança, o Ministério da Fazenda orienta que os consumidores verifiquem se o site possui o domínio “.bet.br” e está listado entre os operadores licenciados na página da Secretaria de Prêmios e Apostas. Plataformas legais também exigem reconhecimento facial no cadastro, oferecem mecanismos de controle e só permitem transações via Pix ou débito em conta do próprio usuário, sem uso de cartões de crédito ou criptomoedas.
Enquanto isso, a Agência Brasil aguarda uma resposta oficial do Ministério da Fazenda sobre as medidas previstas para enfrentar o crescimento das apostas ilegais no país.
