O que começou como uma tentativa de um pai de se comunicar melhor com o próprio filho, hoje é uma ferramenta essencial na vida de milhares de pessoas em todo o mundo. Wagner Yamuto, desenvolvedor e pai de Gabriel que tinha dificuldades na fala e os métodos tradicionais de comunicação alternativa, como cartões de papel, não funcionavam bem no dia a dia. Yamuto criou o aplicativo Matraquinha a partir de das necessidades de seu filho.
Dessa experiência nasceu uma solução inovadora. O aplicativo que utiliza imagens e voz para facilitar a comunicação de crianças com hipersensibilidade sensorial, funciona inclusive sem conexão com a internet, o que evita estímulos externos excessivos. A versão gratuita oferece 250 figuras organizadas por categorias, e a paga permite a personalização com fotos e objetos, tornando-se ainda mais adaptável às realidades individuais.
Com o tempo, o impacto do Matraquinha ultrapassou os limites do autismo. A ferramenta começou a ser utilizada por pessoas com paralisia cerebral, pacientes em situação de pânico e até mesmo por pessoas entubadas durante a pandemia da covid-19. A relevância da criação de Wagner se traduziu em números: mais de 594 mil downloads em 70 países.
A visibilidade do aplicativo ganhou impulso com parcerias significativas. No Hospital Sabará, por exemplo, o Matraquinha foi usado para preparar crianças para exames, com sucesso em 94% dos casos. Já com o Instituto Mauricio de Sousa, o personagem autista André, da Turma da Mônica, foi incorporado à ferramenta, tornando a experiência ainda mais próxima e representativa para os usuários.
A evolução da startup não parou por aí. A família expandiu o projeto com o lançamento do Talk Bell, uma versão pensada para clínicas e ambientes terapêuticos, e também com um livro físico que reúne as figuras do app — uma opção sem bateria, ideal para momentos em que o digital não está disponível.
O investimento inicial modesto, de cerca de R$ 2 mil, foi impulsionado pelo trabalho conjunto de Wagner, sua esposa pedagoga e o irmão Adriano. Hoje, a startup caminha com recursos próprios, mantendo o foco em acessibilidade, inclusão e impacto social. Para Wagner, tudo se resume a um ciclo transformador: “A dor virou projeto, o projeto virou produto, e o produto virou propósito.”
