O fogo consumiu 30 milhões de hectares do território brasileiro em 2024, segundo relatório divulgado nesta terça-feira, tornando o ano o segundo pior em extensão de queimadas dos últimos 40 anos. Os dados são do Relatório Anual do Fogo (RAF) e da Coleção 4 do MapBiomas, que apontam um aumento de 62% em relação à média histórica entre 1985 e 2024.
Mais de 70% da área atingida pelo fogo era vegetação nativa, e o impacto sobre as florestas foi o maior já registrado, com 7,7 milhões de hectares queimados. O bioma Amazônia concentrou o maior volume, com 15,6 milhões de hectares afetados, equivalente a mais da metade do total nacional. Pela primeira vez, a maior parte da área queimada no bioma foi de floresta, superando pastagens, que historicamente lideravam esse tipo de ocorrência.
O fenômeno El Niño, que provocou longos períodos de seca entre 2023 e 2024, foi apontado como fator de agravamento das condições para o fogo. No entanto, os pesquisadores reforçam que o incêndio florestal só ocorre com a ação humana, geralmente como resultado de manejo inadequado do solo. A propagação descontrolada do fogo em pastagens teria sido responsável por grande parte dos focos em vegetação nativa.
A Mata Atlântica também registrou números alarmantes. Em 2024, o bioma teve uma área queimada 261% acima da média, totalizando 1,2 milhão de hectares. Quatro municípios paulistas aparecem entre os dez mais afetados proporcionalmente. Mesmo sendo um bioma altamente alterado por ações humanas, os incêndios tiveram impacto crescente sobre as áreas remanescentes de cobertura natural.
No Pantanal, a situação foi ainda mais crítica em termos proporcionais. O bioma teve 2,2 milhões de hectares atingidos, 93% em vegetação nativa. O aumento de 157% em relação à média histórica fez de 2024 o terceiro pior ano já registrado no bioma. A seca intensa na bacia do Rio Paraguai foi um dos fatores que ampliaram a vulnerabilidade da vegetação ao fogo.
O Cerrado respondeu por 35% de toda a área queimada no país, com 10,6 milhões de hectares atingidos, um crescimento de 10% frente à média histórica. Já na Caatinga, houve redução de 16% nas queimadas em relação às quatro décadas anteriores, enquanto o Pampa apresentou queda de quase metade no volume de áreas atingidas.
O levantamento foi considerado o retrato mais completo das queimadas no Brasil até hoje, tanto em abrangência territorial quanto em análise histórica. Segundo os pesquisadores do MapBiomas, o mapeamento detalhado pode fortalecer políticas públicas, orientar ações de prevenção e permitir respostas mais rápidas e eficazes no combate aos incêndios florestais.
