A resposta brasileira ao tarifaço anunciado pelo governo dos Estados Unidos começa a ganhar forma no campo político. Nesta quarta-feira, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou que o Congresso Nacional está coeso na defesa da soberania nacional diante da decisão da Casa Branca de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. O gesto, classificado por Alcolumbre como uma “agressão”, mobilizou lideranças do Legislativo e reforçou a coordenação com o governo federal.
Em reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, Alcolumbre destacou que o Legislativo não se omitirá diante da ameaça aos empregos e aos empresários do país. Ao mesmo tempo, reconheceu que a condução das negociações deve permanecer sob liderança do Executivo, especialmente por se tratar de relações diplomáticas. “O presidente Lula acertou ao delegar ao vice-presidente Alckmin a responsabilidade de liderar esse processo”, declarou.
A formação de um comitê interministerial para tratar do tema e buscar soluções diplomáticas foi considerada estratégica. Alcolumbre defendeu que as tratativas internacionais se deem com firmeza, sem abrir mão da soberania nacional. “Neste momento de agressão ao Brasil e aos brasileiros, que não é correta, temos que ter firmeza, resiliência e tratar com serenidade esta relação”, afirmou.
Hugo Motta, por sua vez, reforçou o discurso de união institucional e lembrou que o país já dispõe de instrumentos legais para agir em situações como esta. Segundo ele, a aprovação unânime da Lei da Reciprocidade Comercial, em abril, é uma demonstração de que o Legislativo está pronto para agir. A legislação permite ao governo brasileiro adotar contramedidas contra países que imponham barreiras comerciais ao Brasil. O presidente Lula regulamentou a nova lei na última segunda-feira.
Para Motta, o anúncio dos Estados Unidos acabou gerando um efeito contrário ao esperado. “O resultado foi mais um momento de unidade nacional. Unidade em favor do país, de proteção à nossa indústria, aos nossos empregos, às nossas relações diplomáticas”, disse. O presidente da Câmara acrescentou que o Parlamento atuará com rapidez em tudo o que for necessário para dar suporte às decisões do Executivo.
Diante do novo cenário internacional, o governo e o Congresso sinalizam que o Brasil não aceitará passivamente medidas que ameacem seus interesses comerciais. A mensagem política é clara: o país está unido e disposto a proteger sua economia com firmeza e diálogo.
