Com mais de um milhão de doses aplicadas no ambiente escolar, o Brasil alcançou um novo marco na vacinação de crianças e adolescentes no primeiro semestre de 2025. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e representam um avanço significativo no Programa Saúde na Escola (PSE), que une os ministérios da Saúde e da Educação em ações voltadas à imunização de estudantes de até 15 anos diretamente nas instituições de ensino.
A mobilização resultou em saltos expressivos: de 20,6 mil doses em março para 212,1 mil em abril e 583,7 mil em maio. Ao todo, as campanhas alcançaram 4,1 mil municípios, o equivalente a 74% das cidades brasileiras, e levaram 25 tipos de vacinas a escolas públicas e privadas, entre elas HPV, meningite, poliomielite, Covid-19, febre amarela e sarampo.
Segundo Padilha, a retomada da confiança na vacinação reflete um esforço coordenado para salvar vidas e restaurar os índices históricos do Programa Nacional de Imunizações (PNI). “Ultrapassamos um milhão de crianças vacinadas nas escolas. Das 16 vacinas do calendário nacional, tivemos aumento em 15. Até o fim do ano, seguiremos com ações intensificadas”, afirmou.
O crescimento também é observado fora das escolas. No primeiro quadrimestre de 2025, o país registrou alta na cobertura vacinal de quase todos os imunizantes do calendário, revertendo uma tendência de queda iniciada em 2016. A cobertura da vacina contra a meningite, por exemplo, passou de 72,5% para 88,35%; a BCG, de 63,59% para 88,29%; e a tríplice viral (D1), de 86,59% para 91,86%. Apenas a vacina contra varicela manteve estabilidade.
O esforço do governo, que incluiu o repasse de R$ 150 milhões a estados e municípios, também impactou positivamente a vacinação contra o HPV. Entre 2022 e 2024, a cobertura entre meninas de 9 a 14 anos passou de 78,38% para 82,77%, enquanto entre os meninos, saltou de 45,43% para 67,21%.
Esses avanços fazem parte de uma estratégia ampla de microplanejamento regional, combate à desinformação e qualificação dos dados, com ações adaptadas à realidade local e ênfase no papel das famílias. “Vocês estão aqui, vivos, sem paralisia infantil e muitos sem nunca terem tido sarampo porque, um dia, seu pai ou sua mãe levou você para vacinar”, lembrou Padilha, reforçando a importância da participação dos responsáveis.
O Programa Saúde na Escola, em vigor há 18 anos, teve adesão recorde no ciclo 2023/2024, atingindo 5.544 municípios e quase 110 mil instituições, sendo 80% públicas. Com isso, mais de 4,3 milhões de estudantes passaram a ter acesso a ações integradas de saúde e educação. O reconhecimento pelos resultados veio também de organismos internacionais, como o Unicef, que classificou o Brasil como referência mundial na imunização infantil.
