Síria anuncia novo cessar-fogo em Sweida após ataques israelenses e mais de 200 mortos

A trégua ocorre em meio à crescente instabilidade que marca a era pós-Bashar al-Assad
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O governo da Síria anunciou nesta quarta-feira um novo acordo de cessar-fogo na região de Sweida, epicentro de uma nova onda de violência étnica que já deixou mais de 200 mortos desde o último dia 11 de julho. A medida, segundo nota divulgada pelo Ministério do Interior, busca conter a escalada de confrontos entre grupos drusos e tribos beduínas, agravados pelos recentes ataques israelenses que atingiram a capital Damasco.

A trégua ocorre em meio à crescente instabilidade que marca a era pós-Bashar al-Assad. Sob a liderança de Ahmed al-Sharaa, o atual governo sírio tenta restaurar alguma ordem em um cenário marcado por divisões internas e pressões externas. O cessar-fogo inclui 14 artigos, prevendo o fim das operações militares na região sul do país, a instalação de postos de segurança e a criação de uma comissão encarregada de fiscalizar o cumprimento do acordo e apurar as causas da violência recente.

Desde a retomada dos conflitos em Sweida, o governo sírio enviou tropas à região, que acabaram se unindo às tribos beduínas contra os drusos — minoria étnica que mantém laços históricos com Israel. A aliança entre o governo e os beduínos provocou uma reação imediata de Israel, que respondeu com bombardeios à sede do Exército sírio e ao Palácio Presidencial em Damasco.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, justificou os ataques como parte de uma ofensiva para proteger os drusos israelenses, também presentes na região de Sweida e nas Colinas de Golã. O governo de Damasco, por sua vez, classifica a ação como um ataque direto à soberania nacional, embora admita a necessidade de negociações para impedir novos episódios de violência.

Este não é o primeiro cessar-fogo anunciado na região. Tentativas anteriores fracassaram diante da continuidade dos ataques israelenses e da ausência de garantias internas. Desta vez, no entanto, o governo promete maior empenho para sustentar a trégua, diante da pressão internacional e do agravamento da crise humanitária no sul do país.

Enquanto a comissão de monitoramento é estruturada, o temor é de que a frágil paz acordada não resista às tensões de um território ainda marcado pela fragmentação política, presença de milícias e ingerência externa.

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