O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta quinta-feira (24) que o país irá reconhecer oficialmente o Estado da Palestina, juntando-se aos 147 dos 193 membros da Organização das Nações Unidas (ONU) que já adotaram essa posição. A decisão será formalizada durante a próxima Assembleia Geral da ONU, em setembro, segundo comunicado divulgado pelo próprio líder francês na rede social X.
Macron afirmou que o reconhecimento é parte do compromisso histórico da França com uma paz duradoura no Oriente Médio. Ele voltou a defender a criação de dois Estados, solução que tem sido rejeitada pelo governo de Israel, mas que conta com apoio de grande parte da comunidade internacional.
A decisão foi tomada após conversas com Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, que governa a Cisjordânia ocupada. Mesmo com a medida vista como um gesto político contrário aos interesses israelenses, Macron reiterou seu apelo por um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza, com desmilitarização do Hamas e libertação dos reféns ainda mantidos no território.
As perspectivas de trégua, no entanto, continuam incertas. O Hamas apresentou nesta quinta novos termos para uma proposta de cessar-fogo de 60 dias, que não foram bem recebidos pelo governo dos Estados Unidos. Em resposta, Washington retirou seus negociadores do Catar, onde as tratativas estavam sendo conduzidas junto com representantes do Egito e do próprio Catar.
O impasse gira em torno da retirada de tropas israelenses de Gaza, da ampliação da entrada de ajuda humanitária e de um plano concreto para o fim definitivo do conflito. Até o momento, não há sinais claros sobre a continuidade das negociações, que seguem ameaçadas por desconfianças mútuas e divergências estratégicas.
