A escalada do confronto entre Israel e Irã acende, mais uma vez, um alerta global que vai muito além das fronteiras do Oriente Médio. Em um momento em que o planeta ainda se recupera das cicatrizes da pandemia e enfrenta crises climáticas, humanitárias e econômicas, a intensificação de um conflito entre duas potências regionais com vasto alcance geopolítico coloca a paz mundial em xeque.
Não se trata de uma disputa territorial pontual, mas de um embate que envolve décadas de rivalidade ideológica, religiosa e estratégica. Israel, com apoio de aliados ocidentais, e Irã, com redes de influência no mundo árabe e alianças militares com grupos armados, travam um jogo perigoso cujos movimentos reverberam em cadeias de suprimentos globais, mercados energéticos e, principalmente, na vida de milhões de civis inocentes.
A recente troca de ataques diretos, inédita em proporção nos últimos anos, rompe o frágil equilíbrio que vinha sendo mantido por meio de pressões diplomáticas e dissuasão militar. O risco de o confronto se transformar em guerra aberta é real. E com isso, aumentam as chances de envolvimento de outros países, direta ou indiretamente, tornando o conflito potencialmente devastador para a estabilidade internacional.
A comunidade global precisa, com urgência, relembrar as lições da história. Guerras localizadas podem, em poucos meses, se tornar tragédias globais. A Primeira Guerra Mundial começou com um atentado isolado. A Segunda, com invasões que, a princípio, não afetavam o resto do mundo. O custo da omissão, do cálculo político frio e da incapacidade de construir pontes em vez de muros pode ser medido em milhões de vidas.
A diplomacia precisa recuperar seu protagonismo. O Conselho de Segurança da ONU não pode seguir refém de interesses paralelos. As grandes potências, sejam do Ocidente ou do Oriente, devem reconhecer que, diante de armas nucleares, mísseis de longo alcance e redes de alianças voláteis, não há vencedor possível em uma guerra entre Israel e Irã. Há apenas perdas, feridas e um futuro comprometido.
Mais do que nunca, o mundo precisa de vozes corajosas que clamem por cessar-fogo, por diálogo e por soluções negociadas. A paz não é utopia. É a única alternativa racional diante de um cenário que se desenha catastrófico. Permanecer inerte, ou pior, alimentar as chamas desse conflito, é uma irresponsabilidade histórica. A hora de agir é agora. Porque amanhã pode ser tarde demais.
