A imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros nos Estados Unidos causou impacto imediato nas exportações cearenses. Pelo menos 27 contêineres que seriam enviados nesta quarta-feira (6) aos EUA tiveram o embarque suspenso, de acordo com informações da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).
Desse total, 20 contêineres eram de castanha de caju e os outros sete de pescados, itens tradicionais da pauta exportadora do Ceará. O presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante, confirmou os dados durante uma coletiva de imprensa na sede da entidade, e alertou sobre os impactos econômicos do chamado “tarifaço” norte-americano.
“Essa taxação de 50% inviabiliza qualquer operação comercial. É algo desestimulador para qualquer empresa”, afirmou Cavalcante.
O dirigente ressaltou que a sobretaxa compromete toda a cadeia produtiva, desde a indústria até os pequenos produtores. No caso dos pescados, mais de 20 mil pescadores e seis mil embarcações no Estado podem ser afetados. Já o setor da castanha de caju, atualmente em início de safra, enfrenta risco elevado de prejuízos.
Outro setor citado como vulnerável é o da cera de carnaúba, com forte representatividade no interior cearense. O temor, segundo Cavalcante, é que a ruptura dessas cadeias produtivas cause perdas de longo prazo, já que reconstruí-las exigiria tempo e grandes investimentos.
A Fiec estima que cerca de 8 mil empregos no Ceará estão ameaçados neste primeiro momento. Em nível nacional, o número pode chegar a 110 mil, conforme levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
“Estamos falando de empregos, da estrutura da indústria, da agricultura e do comércio. A preocupação é com a sobrevivência do setor produtivo”, destacou Cavalcante.
O governo norte-americano divulgou uma lista de produtos isentos da nova alíquota de 50%, que seguirão sendo taxados em 10%, como suco de laranja, aeronaves, veículos, ferro e fertilizantes. No entanto, grande parte dos itens exportados pelo Ceará — como aço, pescados, castanhas, frutas, sucos, mel e cera de carnaúba — foi incluída no tarifaço.
A Fiec aguarda avanços nas negociações diplomáticas entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos para tentar mitigar os efeitos da medida e reabrir os canais de exportação com competitividade.
