A imposição de uma nova tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, anunciada recentemente pelo governo norte-americano, deve atingir em cheio o setor do agronegócio no Ceará. Pelo menos 16 municípios cearenses serão diretamente impactados, segundo levantamento do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).
O estudo aponta que três categorias principais concentram o volume de exportações afetadas: pescados; cera de carnaúba; e o grupo formado por água de coco, castanha, mel e melão. Juntas, essas cadeias produtivas somaram US$ 64,7 milhões (cerca de R$ 350 milhões) em exportações no primeiro semestre de 2025.
Fortaleza lidera perdas
A capital cearense, Fortaleza, é o município mais afetado em termos de volume financeiro, com US$ 17 milhões em exportações no período. A cidade aparece nas três categorias atingidas: lidera no setor de pescados (com quase US$ 9 milhões), ocupa a terceira posição no grupo de água de coco, castanha, mel e melão (US$ 6 milhões), e também figura na exportação de cera de carnaúba.
O diferencial de Fortaleza, segundo o professor Francisco José Tabosa, do Departamento de Economia Agrícola da Universidade Federal do Ceará (UFC), está na presença das indústrias de beneficiamento, onde os produtos são processados antes de serem enviados ao exterior.
“A taxação tem impacto no município produtor, mas também na empresa que faz o beneficiamento. O coco, por exemplo, é produzido em Paraipaba, mas é processado em Fortaleza ou Itapipoca. Então, a tarifa afeta toda a cadeia”, explica o especialista.
Municípios mais afetados
Confira os valores consolidados por município (1º semestre de 2025):
Fortaleza – US$ 17.076.373
Paraipaba – US$ 8.591.267
Aquiraz – US$ 6.990.458
Aracati – US$ 6.187.947
Camocim – US$ 6.154.938
Acaraú – US$ 5.391.458
Itarema – US$ 3.795.844
Crato – US$ 2.614.350
Eusébio – US$ 2.599.415
Russas – US$ 2.379.433
(e outros menores como Icapuí, Itapipoca, Marco, Pereiro, Juazeiro do Norte e Palhano).
Água de coco e castanha: maior volume exportado
O grupo formado por água de coco, castanha, mel e melão lidera as exportações impactadas, com US$ 32,9 milhões enviados aos Estados Unidos até junho de 2025 — o equivalente a 49% do total exportado dessas categorias. Nesse segmento, Paraipaba se destaca como o segundo município mais afetado, com US$ 8,5 milhões, exclusivamente com a produção de coco.
Cera de carnaúba e pescados também sofrem impacto
Na produção de cera de carnaúba, Itarema concentra 33,8% das exportações estaduais para os EUA. De toda a produção cearense enviada ao país, 19% — o equivalente a US$ 11,2 milhões — tiveram como destino os Estados Unidos no primeiro semestre.
Já o setor de pescados movimentou US$ 22,5 milhões em exportações aos EUA, também representando 49% do total estadual da categoria. Fortaleza responde por 40,4%, enquanto Camocim surge como o segundo maior exportador, com 27,8%.
