Redeterapia ajuda prematuros a ganhar peso, revela pesquisa realizada em Sobral

A pesquisa foi realizada no Hospital Santa Casa de Misericórdia, em Sobral (CE), e acompanhou 60 recém-nascidos prematuros entre julho de 2022 e outubro de 2023.
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Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) revelou que técnicas simples, como o uso de redes de dormir e a hidroterapia, podem trazer benefícios significativos ao desenvolvimento de bebês prematuros internados em unidades neonatais. A pesquisa foi realizada no Hospital Santa Casa de Misericórdia, em Sobral (CE), e acompanhou 60 recém-nascidos prematuros entre julho de 2022 e outubro de 2023.

Conhecida popularmente no Nordeste, a redeterapia já era utilizada para promover o relaxamento dos bebês. No entanto, os pesquisadores decidiram investigar mais a fundo seu real impacto no ganho de peso – um dos principais indicadores de crescimento saudável para prematuros.

Os bebês foram divididos em quatro grupos de 15: um recebeu apenas o posicionamento em rede; outro passou por sessões de hidroterapia (imersão controlada em água morna); o terceiro grupo foi submetido às duas técnicas combinadas; e o quarto serviu como grupo de controle, recebendo apenas os cuidados padrões da unidade neonatal.

Segundo Jeferson de Sousa Justino, pesquisador e autor do estudo publicado no Jornal de Pediatria, os resultados mostraram que a simples inclusão da rede na rotina hospitalar pode melhorar significativamente o ganho de peso. E mais: quando associada à hidroterapia, a técnica apresentou um efeito ainda mais expressivo.

“A rede tem um formato que simula o ambiente intrauterino, o que faz o bebê se sentir mais seguro. Isso melhora o sono e reduz o estresse. Bebês que dormem melhor choram menos, gastam menos energia e, por consequência, ganham mais peso”, explica Justino.

Durante o experimento, os recém-nascidos que utilizaram a rede ficaram posicionados nela por duas horas diárias, durante 15 dias, sempre em horários reservados ao descanso e sem interferência da equipe médica. As redes utilizadas foram confeccionadas em algodão, para manter o calor corporal e prevenir hipotermia. Já a hidroterapia era realizada com os bebês envolvidos em toalhas, sentados em água aquecida a 37ºC por 15 minutos — tempo suficiente para induzir um sono profundo.

A pesquisa também ressalta que essas técnicas devem ser aplicadas exclusivamente em ambiente hospitalar e com acompanhamento profissional. Apesar de parecerem simples, seu uso incorreto pode representar riscos à saúde do bebê.

Prematuros, especialmente os nascidos antes das 37 semanas, enfrentam uma série de desafios fisiológicos. Muitos têm o sistema gastrointestinal ainda em desenvolvimento, o que dificulta a absorção de nutrientes mesmo com alimentação especializada, como fórmulas hidrolisadas ou nutrição intravenosa. Por isso, técnicas não invasivas como a redeterapia surgem como aliadas importantes no cuidado neonatal.

Enquanto o grupo que passou apenas pela hidroterapia apresentou algum ganho de peso, mas sem significância estatística, os bebês que participaram da intervenção combinada (rede + hidroterapia) apresentaram os melhores resultados. A pesquisa reforça que, mesmo isoladamente, a rede já se mostra eficaz na promoção do crescimento saudável.

Com base nesses dados, os pesquisadores destacam a importância de incorporar estratégias de baixo custo e alta eficácia no cuidado com os prematuros, principalmente em regiões com recursos limitados. A aposta é de que essas práticas possam, no futuro, se tornar protocolos regulares em unidades neonatais do SUS.

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