Testamento de Cid Moreira é contestado por filhos, que alegam possível falsificação de assinatura

Filhos questionam validade do documento que deixou toda fortuna para a viúva
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A disputa pela herança do jornalista Cid Moreira, que faleceu em outubro de 2024 aos 97 anos, ganhou novos desdobramentos nesta semana. Um laudo grafotécnico encomendado pelos filhos do comunicador, Roger Felipe e Rodrigo Rezende, levanta dúvidas sobre a validade do testamento assinado em 2023, que deixou toda a fortuna estimada em R$ 60 milhões exclusivamente para a viúva, Fátima Sampaio.

A análise, realizada pelo perito Cláudio da Silva Cordeiro, aponta diferenças marcantes entre a assinatura presente no documento e outras feitas por Cid em anos anteriores. Segundo o especialista, os traços do testamento não condizem com os sinais de tremores e senilidade observados nas assinaturas anteriores, o que pode indicar falsificação ou assinatura por terceiros.

“Há inconsistência nos padrões. Uma pessoa aos 96 anos não apresentaria uma caligrafia mais firme que a dos 93, considerando o natural avanço do declínio motor”, explicou o perito em entrevista ao programa Domingo Espetacular.

Os filhos, que já contestavam judicialmente a administração dos bens por parte da viúva, agora pedem a anulação do testamento. Eles também acusam Fátima de ter liquidado 11 dos 18 imóveis que pertenciam a Cid Moreira, supostamente desviando mais de R$ 40 milhões para contas bancárias no exterior.

A viúva, por sua vez, sempre negou as acusações e, ainda em vida do jornalista, havia afirmado que os filhos jamais aceitaram seu relacionamento com Cid. Em uma entrevista concedida dois anos antes da morte do apresentador, ela declarou: “Eles criaram um estigma por ele ser mais velho e por acharem que eu me aproveitei. Mas ninguém perguntou o que ele sentia. Estão lutando por uma herança de alguém que estava vivo.”

O testamento polêmico, além de excluir os filhos, menciona antigas disputas judiciais entre eles, apontadas como justificativas para a decisão de deserdá-los.

A Justiça determinou que uma nova perícia oficial seja feita para avaliar a autenticidade da assinatura e a capacidade cognitiva de Cid no momento em que o documento foi assinado. Até lá, o processo segue em curso, em meio a uma disputa cada vez mais acirrada por um dos patrimônios mais emblemáticos da história da televisão brasileira.

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