O Ministério da Saúde deu início à distribuição gradual do exame de DNA-HPV na rede pública de saúde. A nova tecnologia será incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) para substituir, de forma progressiva, o tradicional teste de papanicolau no rastreamento do câncer do colo do útero. O objetivo é modernizar o diagnóstico e ampliar as chances de detecção precoce da doença.
O DNA-HPV é um exame laboratorial que identifica 14 tipos do papilomavírus humano com maior potencial cancerígeno, mesmo antes de aparecerem lesões no colo do útero. A expectativa é que ele se torne o teste primário de rastreio, deixando o papanicolau apenas para casos de confirmação.
Implantação em fases
A substituição já começou em 12 regiões do país — uma cidade por estado, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Ceará, entre outros, além do Distrito Federal. A meta é que, até o fim de 2026, o novo exame esteja disponível em todo o Brasil, atendendo cerca de 7 milhões de mulheres com idades entre 25 e 64 anos por ano.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a implantação será mais rápida no Brasil em comparação com países europeus. “Estamos aproveitando a infraestrutura de biologia molecular montada durante a pandemia. Isso nos dá uma vantagem para acelerar o diagnóstico e iniciar o tratamento com mais agilidade”, explicou o ministro durante o lançamento da iniciativa, em Recife.
Como funciona o exame
A coleta segue o mesmo procedimento do papanicolau: é feita a partir de secreções do colo do útero. A diferença está na forma de análise. Em vez de lâminas para observação ao microscópio, o material é armazenado em um tubo com solução conservante e enviado a laboratórios especializados, onde é analisado geneticamente para identificar a presença do vírus.
Com resultado negativo, a paciente poderá repetir o exame a cada cinco anos — um avanço em relação ao papanicolau, que exige repetições mais frequentes.
O teste foi desenvolvido pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná, da Fiocruz, e foi aprovado para uso no SUS após recomendação da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), que considerou o método mais sensível e eficaz que o tradicional.
HPV: o que é e como se prevenir
O papilomavírus humano (HPV) é uma infecção sexualmente transmissível que pode provocar verrugas genitais e, em casos persistentes, levar ao desenvolvimento do câncer do colo do útero. Muitas vezes, o vírus não apresenta sintomas, o que torna o rastreamento ainda mais importante.
A principal forma de prevenção é a vacinação. O imunizante é oferecido gratuitamente pelo SUS em dose única para meninas de 9 a 14 anos, além de grupos específicos, como pessoas imunossuprimidas ou em tratamento contra o câncer, com idades entre 15 e 45 anos.
Impacto nacional
O câncer do colo do útero é o terceiro tipo mais comum entre as brasileiras, com estimativa de 17 mil novos casos ao ano e cerca de 20 mortes por dia, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). As regiões Norte e Nordeste são as mais afetadas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já reconhece o teste de DNA-HPV como o padrão mais eficaz para o rastreamento da doença e o considera peça-chave na meta de eliminar o câncer do colo do útero como problema de saúde pública até 2030.
Com a combinação de vacinação em massa e rastreamento mais preciso, o Brasil espera reduzir significativamente os casos e as mortes causadas pela doença nos próximos anos.
