Brinquedo dos anos 90 renasce como “Tribufu” e conquista colecionadores no Ceará

Boneco criado como brinde bancário vira sensação nostálgica nas redes e movimenta mercado geek em Fortaleza.
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O que era para ser um brinde bancário sem carisma nos anos 1990 acabou ganhando nova vida em pleno 2024 — e tudo graças a uma pitada de humor, criatividade cearense e o poder das redes sociais. Apelidado carinhosamente (ou ironicamente) de “Tribufu, o primo feio do Labubu”, um monstrinho roxo de aparência esquisita virou o novo xodó de colecionadores e fãs da cultura pop em Fortaleza.

O renascimento inusitado do boneco aconteceu nas prateleiras da loja Cantinho do Colecionador, no Shopping Benfica. O responsável? Diego Genuino, analista de telecomunicações e comerciante de longa data no universo dos brinquedos antigos. Em junho, ele adquiriu um lote com 100 unidades de um brinquedo pouco lembrado: o Monstrinho da Anuidade da Caixa, uma criação da Estrela em parceria com a Caixa Econômica Federal, oferecido nos anos 90 como brinde para quem pagava a anuidade do cartão em dia.

🤷‍♂️ Esquecido, mas não para sempre

A proposta original era fidelizar clientes adultos do banco — o problema é que o boneco, com seu visual estranho e proposta confusa, não agradou ninguém. Resultado: 50 mil unidades foram recolhidas e ficaram encaixotadas até irem a leilão em 2010. Parte desse lote foi parar nas mãos de colecionadores, como um amigo de Diego, que anos depois repassou alguns exemplares ao lojista.

Mas foi no evento Sana, em julho, que a transformação começou. Uma criança entrou na loja procurando o famoso Labubu, febre atual entre bonecos colecionáveis. Sem o brinquedo da moda, Diego ofereceu uma alternativa: “Eu disse, ‘isso aqui é o Tribufu, primo feio do Labubu’”, relembra. O apelido pegou — e vendeu.

📱 De meme a desejo

Com a primeira venda feita, Diego teve outra sacada: usou uma ferramenta de inteligência artificial para criar um banner “oficial” do Tribufu com visual publicitário. O resultado foi tão divertido que rapidamente viralizou nas redes. Influenciadores locais como Fortaleza Ordinária e perfis de memes como Brazilian Version ajudaram a espalhar a brincadeira — e o boneco. Em poucos dias, o estoque inicial de 100 peças, vendidas a R$ 20 cada, evaporou.

O sucesso foi tanto que Diego correu para adquirir mais unidades: comprou 250, que também estão perto de acabar, e já aguarda mais 2.500 bonecos, vindos de um dos últimos lotes disponíveis. O boneco já aparece em marketplaces com preços inflacionados, chegando a R$ 100, mas o criador do apelido avisa: “Tribufu mesmo, só no Ceará. A criatividade foi nossa”, afirma, com orgulho.

📦 Brinquedo raro, futuro incerto

Apesar da fama repentina, o futuro do Tribufu ainda é incerto. A Estrela não tem planos de relançar o boneco, devido a questões de direitos autorais e, talvez, à natureza do próprio produto, originalmente concebido sem apelo infantil.

Para Diego, no entanto, o legado do brinquedo já está garantido: mais do que uma peça de coleção, o Tribufu virou um símbolo da nostalgia bem-humorada e da capacidade de reinvenção que só o cearense tem. “Foi uma brincadeira que virou um fenômeno. A gente não esperava, mas é isso que torna colecionar tão divertido.”

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