As baixas temperaturas registradas na Região Serrana do Espírito Santo, conhecidas por atrair turistas em busca de clima ameno e paisagens naturais, estão trazendo preocupação aos agricultores locais. O frio que encanta os visitantes tem impactado diretamente a produção de tomate, uma das principais culturas da região, e já provoca reflexos no bolso do consumidor.
De acordo com dados do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), municípios como Afonso Cláudio e Venda Nova do Imigrante enfrentaram mínimas de 9,7°C e 6,1°C, valores abaixo do ideal para o desenvolvimento saudável da lavoura. O tomateiro, segundo a Embrapa, apresenta melhor desempenho entre 15°C e 25°C, embora suporte certa variação. Com o frio prolongado, o ciclo de maturação foi estendido e a produção reduziu.
“Normalmente, o tomate começa a amadurecer em 70 dias. No inverno, esse período passa para 90, e com a queda brusca nas temperaturas, ainda menos frutos chegam ao ponto de colheita”, explicou o produtor rural Cássio Gobbi.
No caso do tomate-cereja, a situação é ainda mais crítica. O agricultor Bruno Cesconetto estima uma redução de até 35% na safra deste ano em comparação a 2024. A perda pode afetar inclusive a oferta no período natalino, quando a procura pelo fruto costuma aumentar.
A escassez de produto no mercado já elevou os preços. Em Vitória, segundo o Dieese, a caixa de 9 kg que custava R$ 58 em maio passou a ser comercializada a R$ 97 em junho. Apesar do reajuste, os ganhos não acompanham a alta. “Com menos colheita, o faturamento não cresce, porque a quantidade disponível é bem menor”, comentou Cesconetto.
Especialistas reforçam que alternativas como o cultivo em estufas podem ajudar a amenizar os efeitos do clima, já que permitem controlar temperatura e reduzir o risco de pragas. Evaldo de Paula, extensionista do Incaper, destacou ainda o papel da tecnologia no campo: “A região serrana é referência nacional em qualidade e produtividade. Investir em manejo adequado e inovação é fundamental para enfrentar períodos de adversidade climática”.
Enquanto isso, consumidores e produtores convivem com os impactos do frio: uns pagando mais caro pelo alimento na feira, outros tentando minimizar prejuízos e salvar parte da safra diante de um inverno rigoroso.
