Bombardeios israelenses intensificam crise humanitária na Cidade de Gaza

Cerca de metade dos mais de 2 milhões de habitantes da Palestina está atualmente na Cidade de Gaza. Estima-se que milhares de pessoas tenham deixado a cidade em direção às áreas central e sul do território.
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Forças israelenses intensificaram ataques aéreos e terrestres sobre subúrbios da Cidade de Gaza durante a noite de sábado (30), destruindo residências e forçando famílias a abandonarem suas casas. A ação faz parte de um plano do premiê Benjamin Netanyahu para tomar o controle do território, considerado o último bastião do Hamas.

Autoridades de saúde locais informaram que os bombardeios e tiroteios resultaram na morte de pelo menos 18 pessoas neste domingo, incluindo 13 civis que buscavam alimentos próximos a um ponto de assistência no centro de Gaza, e pelo menos duas em uma residência na cidade. O gabinete do porta-voz militar israelense disse estar avaliando os relatórios.

Moradores do bairro Sheikh Radwan relataram ataques contínuos de tanques e aviões desde sábado, obrigando muitos a se deslocarem para áreas mais ocidentais da cidade. Segundo Rezik Salah, pai de dois filhos, “eles estão avançando para o coração da cidade, bombardeando do ar e do solo para assustar as pessoas e fazê-las sair”.

Nas últimas três semanas, as operações militares israelenses se intensificaram na região, com a suspensão de pausas que permitiam a entrega de ajuda humanitária, declarando a área como “zona de combate perigosa”. Autoridades israelenses afirmam que uma ofensiva em larga escala só deverá ocorrer nas próximas semanas, após a evacuação da população civil.

A Cruz Vermelha alertou para o deslocamento massivo que a cidade enfrenta, afirmando que áreas centrais e sul de Gaza estão superlotadas e não têm capacidade para receber os refugiados. Ghada, mãe de cinco filhos no bairro de Sabra, relatou dificuldades para encontrar abrigo: “Alguns foram para parentes no sul, mas muitos não têm onde ficar”.

Cerca de metade dos mais de 2 milhões de palestinos reside atualmente na Cidade de Gaza. Estima-se que milhares já tenham deixado a cidade, buscando segurança em regiões centrais e meridionais. A ofensiva israelense também gera preocupação com a segurança de reféns ainda mantidos pelo Hamas, enquanto manifestações em Israel pedem o fim do conflito e a libertação dos detidos.

Desde o início da campanha, mais de 63 mil pessoas morreram em Gaza, a maioria civis, segundo autoridades de saúde palestinas. O território enfrenta agora uma grave crise humanitária, com destruição generalizada, escassez de alimentos, abrigo e suprimentos médicos.

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