Anvisa aprova novo medicamento para câncer de ovário resistente à quimioterapia

Medicamento mirvetuximabe soravtansina mostrou aumento na sobrevida global em estudo clínico e traz nova esperança para pacientes.
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso do medicamento mirvetuximabe soravtansina, comercializado como Elahere, voltado para pacientes com câncer de ovário que não respondem mais à quimioterapia à base de platina. A decisão foi anunciada na segunda-feira (1º) e marca a chegada de uma nova opção terapêutica no Brasil após mais de oito anos sem avanços nesse grupo de pacientes.

O tratamento é um conjugado anticorpo-fármaco (ADC), que combina um anticorpo direcionado ao receptor de folato alfa (FRα) presente nas células tumorais com uma carga quimioterápica. Isso permite atacar diretamente o tumor, preservando maior parte das células saudáveis. O medicamento é indicado apenas para pacientes com tumores “FRα positivos”, um biomarcador presente em cerca de um terço das mulheres com câncer de ovário, e cujo câncer retorne em até seis meses após a quimioterapia — a chamada resistência à platina.

Resultados dos estudos clínicos
A aprovação foi baseada em estudo clínico de fase 3, envolvendo mais de 450 pacientes. Os dados apontam redução de 35% no risco de progressão da doença em comparação à quimioterapia tradicional. A sobrevida média das pacientes tratadas foi de 16,5 meses, contra 12,7 meses no grupo que recebeu quimioterapia. A taxa de resposta objetiva, que mede a redução do tumor, foi de 42% entre as pacientes que receberam o novo medicamento, comparado a 16% no grupo de referência.

O uso do Elahere depende de exame de imuno-histoquímica para identificar tumores com alta expressão do receptor FRα, exame já disponível em laboratórios brasileiros.

Avanço terapêutico
Segundo a oncologista Graziela Dal Molin, vice-presidente do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), a medicação representa um marco: “É a primeira vez em mais de 20 anos que vemos aumento significativo da sobrevida global para pacientes com câncer de ovário resistente à platina. Embora paliativo, o tratamento reduz tumores, melhora sintomas e qualidade de vida.”

No Brasil, o câncer de ovário é responsável por cerca de 7,3 mil novos casos por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), sendo frequentemente diagnosticado em estágios avançados. A inclusão do Elahere no Sistema Único de Saúde (SUS) ou na cobertura da ANS ainda não foi definida, mas a aprovação é vista como um avanço significativo para pacientes com poucas opções terapêuticas.

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