O rapper e empresário norte-americano Sean “Diddy” Combs pode ter sua pena ampliada em mais 11 anos de prisão, conforme solicitação apresentada por promotores federais dos Estados Unidos nesta terça-feira (30). A nova etapa do julgamento está marcada para a próxima sexta-feira (3), em Nova York, quando o juiz distrital Arun Subramanian deve anunciar a sentença final.
Preso desde setembro de 2024, Diddy foi condenado em julho deste ano por transporte de pessoas com fins sexuais, uma acusação que pode render até 20 anos de detenção. Apesar da gravidade do caso, ele foi absolvido de crimes mais pesados, como tráfico sexual e associação criminosa, que poderiam levá-lo à prisão perpétua.
Na solicitação enviada ao tribunal, os promotores pedem 135 meses adicionais de prisão — o equivalente a 11 anos e 3 meses — e a aplicação de uma multa de US$ 500 mil (cerca de R$ 2,6 milhões). O pedido se baseia, segundo a acusação, na “gravidade dos atos praticados” e no “papel central” de Diddy na estrutura da organização.
Investigação envolve dezenas de depoimentos e evidências digitais
O processo judicial contra o magnata do hip-hop mobilizou mais de 30 testemunhas, além da apresentação de registros financeiros, e-mails e mensagens de celular, que teriam confirmado a existência de um esquema que envolvia orgias com profissionais do sexo, muitas vezes sem consentimento pleno das mulheres envolvidas.
Diddy nega todas as acusações e seus advogados já anunciaram que pretendem recorrer da condenação. A defesa sustenta que todas as festas e encontros íntimos ocorreram com o consentimento das participantes, e acusa as denunciantes de buscar ganhos financeiros com o caso.
Entre as mulheres que prestaram depoimento estão uma ex-parceira que optou por manter o anonimato e a cantora Cassie Ventura, ex-namorada do artista. Ambas relataram episódios de coerção e abuso em festas privadas organizadas pelo rapper. A equipe jurídica de Diddy rebateu as denúncias, classificando-as como “inconsistentes” e “motivadas por interesses pessoais”.
Caso pode marcar virada na indústria musical
A possível ampliação da pena de Sean Combs representa um dos capítulos mais impactantes da história recente do entretenimento nos EUA, reacendendo o debate sobre poder, abuso e impunidade na indústria musical. Se a pena máxima for confirmada, Diddy deverá cumprir cerca de duas décadas em regime fechado.
O caso também reacende discussões sobre a responsabilização de figuras públicas envolvidas em redes de exploração, especialmente no momento em que o país enfrenta um aumento nos relatos de crimes sexuais ligados a celebridades e empresários de alto escalão.
