Um caminhão transportando 20 jumentos vivos foi interceptado pela Guarda Municipal de Chapadinha, a cerca de 250 km de São Luís, na noite de sábado (4). A apreensão ocorreu após denúncias de moradores da zona rural, que relataram movimentações suspeitas envolvendo a captura dos animais. Três homens foram presos e levados à Delegacia Regional da Polícia Civil da cidade.
A suspeita das autoridades é grave: os animais seriam levados para abate clandestino, com a carne possivelmente sendo comercializada como se fosse bovina em municípios do Piauí. Segundo a Guarda Municipal, o trio detido é natural da cidade de Campo Maior (PI).
Durante o interrogatório, os suspeitos não conseguiram comprovar a origem ou o destino dos animais. Eles negaram qualquer intenção de abate, mas não apresentaram documentação de transporte nem justificativa para a carga.
Abate de jumentos: prática controversa e zona cinzenta legal
Embora o consumo de carne de jumento não seja expressamente proibido no Brasil, a venda do produto como carne bovina configura fraude contra o consumidor, além de poder envolver uma série de infrações — desde crimes contra a saúde pública até danos ambientais, caso os abates ocorram sem licenciamento ou inspeção sanitária.
Nos últimos anos, a exploração comercial de jumentos voltou a ganhar força, principalmente após 2016, com o interesse de mercados asiáticos no couro do animal. Isso reativou matadouros em algumas regiões do país, especialmente no Nordeste, onde jumentos passaram a ser recolhidos em áreas rurais, muitas vezes em situação de abandono.
No entanto, organizações de proteção animal alertam para os riscos dessa prática. Além do perigo sanitário associado a abates irregulares, há preocupação com o risco de extinção da espécie no Brasil, considerando a captura indiscriminada e sem controle.
Projeto de Lei propõe proibição nacional
Em tramitação na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 2387/2022 propõe a proibição total do abate de equídeos e asininos (como cavalos e jumentos) para fins comerciais, incluindo a exportação. O texto segue em análise nas comissões da Casa, impulsionado por denúncias de maus-tratos e comercialização fraudulenta de carne desses animais.
Enquanto isso, autoridades reforçam que o problema central não é a carne de jumento em si, mas o abate clandestino, a falta de inspeção sanitária e a venda enganosa ao consumidor — práticas que configuram crimes graves, como:
Fraude nas relações de consumo
Falsidade ideológica
Crime contra a saúde pública
Crime ambiental, se houver operação de matadouros sem licença
A Polícia Civil de Chapadinha segue investigando o caso para apurar a origem dos animais, identificar possíveis cúmplices e descobrir se há uma rede estruturada de transporte e venda ilegal de carne na região.
