Para quem ficou estarrecido com as cenas de melancolia do ministro do STF, Roberto Barroso, é bom dizer que em alguns filmes também há cenas de dragões que expressam emoções, quando lhes falta fogo por dentro. A terra tremeu no palácio da justiça, fazendo com que todos os ministros balançassem e se dessem conta de que os atos que eles praticam também estão sujeitos à lei do retorno.
Desacostumados em ver forças superiores sobrepondo-se às suas, os ministros, a começar pelo Barroso, agora sabem que a mesma toga que os reveste de supremos, também serve para enxugar lágrimas de vencidos. Barroso, que era um dos que apontavam os canhões para os que tentavam comprometer a glória do STF, desmorona diante das câmeras e dos manés. Não se pode, contudo, dizer que sua aposentadoria antecipada não foi uma sábia decisão, isto porque ele não conseguirá sobreviver ao peso da Lei Magnitsky, que lhe renderá um mundo resumido e sem valores.
Sem o Barroso, Moraes se amiúda, e não será surpresa se ele for o próximo a arregar. Isso acontecendo, tornará a suprema corte enfraquecida e comedida. Ela não será mais o leão da chácara do governo, que ficará fragilizado e sujeito a um xeque-mate eleitoral. O episódio do Barroso deixa clara a indisposição do judiciário em medir forças com a mais imponente de todas as nações do planeta. Também torna inviável o dobramento das apostas de Alexandre de Moraes, que deverá entregar de volta o menino do Lula, com um “toma que o filho é teu”.
