A imprensa que deixou saudade

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A mídia nacional está cada dia menos corajosa, menos audaciosa e menos verdadeira. Não fosse o interesse econômico, poucos estariam ocupando seus postos. O “cala a boca” bravejado no passado perdeu lugar para o cala-bolso de hoje, ao qual a grande maioria se rende e se avassala, como se fosse rato em casa de gato.

O fato estranho dessa nova narrativa é saber que os profissionais do passado, mesmo amedrontados, ameaçados e até estraçalhados pelo sistema dominante, não se rendiam de todo, indo até às últimas consequências. Escreviam mesmo na escuridão dos refúgios ou emitiam opiniões sob a mira das armas. Diferente dos de hoje em dia, eles se orgulhavam de seus posicionamentos e de suas produções.

Mais que notícias, eles escreviam história, e nas suas falas havia verdade, razão e o compromisso de uma profissão respeitada e valorizada. O jornalismo brasileiro destacou muitas personalidades, principalmente às que se mantiveram firmes em suas convicções de trazer a verdade à tona, mesmo que ela fosse um incômodo para muitos.

Já não há como fazer comparativos entre o passado e o presente da imprensa brasileira, até porque a atual está sendo substituída pelas IA, que estão sepultando às poucas capacidades que restaram dos artesãos das letras, dos pintores do pensamento e instigadores da moral e da ordem que o tempo levou em folhas amareladas. Hoje a imprensa, que virou mídia, que se expandiu e virou complexo, já não tem mais graça, nem legitimidade.

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