De acordo com levantamento do Serasa Experian, 8 milhões de CNPJs– principalmente pequenas e médias empresas – estão inadimplentes no país, o que também é um recorde na série histórica da pesquisa. Ao todo, os débitos em atraso somam R$ 193,4 bilhões. E o principal motivo da inadimplência empresarial está nos juros estratosféricos praticados no país. Com a Selic a 15%, o Brasil tem o segundo maior juro real de todo o planeta (9,51%), atrás apenas da Turquia.
Não sem motivo, as expectativas do setor produtivo ficam em baixa. Por exemplo, o Índice de Confiança da Indústria, medido pela Fundação Getúlio Vargas, atingiu em agosto o ponto mais baixo desde outubro de 2023. Com isso, se fecha um ciclo perverso em que juros altos ampliam custo do crédito, que multiplica a inadimplência e que pressiona a alta das taxas de juros. E nessa ciranda fica cada vez mais difícil e caro gerar empregos.
E chama atenção o fato de que os empregos gerados no setor privado bateram recorde histórico no estudo realizado pelo IBGE, com 52,6 milhões de trabalhadores (39,1 milhões com carteira assinada). Um sinal de resiliência do empresariado nacional, que enfrenta grandes dificuldades para manter seus investimentos. Se o governo federal deseja que os números do trabalho sejam sustentáveis, e não apenas uma boa notícia eventual, precisa incentivar o setor produtivo, criar um ambiente de estabilidade e, principalmente, cortar juros.
