A megaoperação realizada no Rio de Janeiro, com o objetivo de quebrar o poderio do comando vermelho, coincidentemente, ocorreu um logo após o presidente Lula afirmar que a culpa do tráfico é do usuário, tentando dessa forma desviar o foco às atrocidades cometidas pelo narcotráfico brasileiro, principalmente por parte do Estados Unidos que, no atual governo volta a combater duramente as ações do mercado criminoso da venda de drogas.
A ação ordenada pelo governador do Rio, Cláudio Costa, aprovada por 87% da população carioca, gerou inquietudes tanto no governo federal quanto na suprema corte, que desaprovam a operação, a qual, segundo eles, deveria ter sido autorizada pelos “deuses do caos”. A incompatibilidade das narrativas comprova a dissonância dos poderes quanto o tema é segurança e bem-estar da sociedade.
Em outros períodos e lugares, os policiais participantes da megaoperação seriam condecorados. No entanto, em terras brasileiras, estes terão que se explicar, a partir dos seus comandos, o porquê da operação de forma silenciosa. Muito embora tenha havido vazamento de informações e o vazamento de bandidos, o resultado do trabalho das polícias do Rio agradou à grande maioria dos moradores, que se mostram menos temerosos e monitorados.
O ministro Alexandre de Mores passou todo o dia de ontem (03 de novembro), em reuniões com as autoridades políticas e judiciárias do Rio, tentando entender a necessidade e o processo da operação, sem, contudo, se manifestar em qualquer momento a favor dos mocinhos.
