Brasil tem três facções de alcance nacional e 31 regionais, aponta Abin

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A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) revelou que o Brasil conta atualmente com três facções criminosas de atuação nacional e outras 31 com poder de influência regional, capazes de comprometer a segurança de ao menos um estado inteiro. As informações constam de relatórios apresentados por representantes da agência nesta quarta-feira (6) durante reunião da Comissão de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), no Congresso. O encontro foi convocado em meio à preocupação com o avanço do crime organizado, após a megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro, que resultou em 121 mortes na semana passada.

Além do Comando Vermelho, a Abin apontou o Primeiro Comando da Capital (PCC), originário de São Paulo, e o Terceiro Comando Puro (TCP), do Rio, como as principais organizações com capilaridade nacional. Segundo os relatórios, o PCC ampliou sua presença internacional, com integrantes identificados em 28 países cerca de 2 mil pessoas no total. Esse movimento, voltado para o exterior, teria aberto espaço para a expansão interna do Comando Vermelho, que há dez anos dominava apenas quatro estados e hoje atua em 20.

Durante a reunião, um oficial da Abin destacou que o CV consolidou alianças com facções rivais do PCC, o que impulsionou sua força e alcance. Segundo ele, a facção oferece uma estrutura logística para o tráfico de armas e drogas, além de abrigar criminosos em comunidades cariocas. “Não há hoje conflito entre grupos criminosos no país que não envolva o Comando Vermelho”, afirmou.

Os relatórios também apontam o crescimento do Terceiro Comando Puro, agora presente em nove estados. O grupo tem se expandido no fornecimento de fuzis e no controle de áreas estratégicas do Rio, disputando espaço com o Comando Vermelho.

Para a Abin, o país vive um processo de “nacionalização da lógica fluminense”, em que o modelo de organização e domínio territorial do crime carioca se espalha por outras regiões. Isso estaria ocorrendo em parte porque o PCC passou a direcionar seus esforços para fora do Brasil em 2018, por exemplo, a facção divulgou um “salve” convocando membros que falassem espanhol.

Ao final da sessão, os agentes de inteligência fizeram um alerta preocupante: segundo eles, o crime organizado está atingindo o “ponto máximo de expansão”, avançando sobre estruturas do Estado e contratos públicos. Essa nova estratégia indica que as facções não se limitam mais ao tráfico de drogas e armas, mas buscam lucrar também com a exploração econômica de territórios, incluindo o controle da internet, do gás, de combustíveis e até da venda de água em comunidades dominadas.

Fonte: O Globo

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