A economia brasileira registrou leve avanço de 0,1% no terceiro trimestre de 2025 frente ao trimestre anterior, segundo estimativas do Monitor do PIB, divulgado nesta terça-feira (18) pelo Ibre/FGV. No acumulado dos últimos 12 meses, o crescimento chega a 2,5%. Já entre agosto e setembro, o nível de atividade permaneceu estável.
O estudo, que acompanha mensalmente o desempenho do Produto Interno Bruto, utiliza dados dessazonalizados para permitir comparações consistentes entre períodos. Em valores correntes, o PIB acumulado até o terceiro trimestre é estimado em R$ 9,37 trilhões.
Estagnação dos serviços e do consumo
De acordo com a economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, a falta de dinamismo no setor de serviços e no consumo das famílias pilares do PIB limitou o crescimento no período. Ela destaca que os demais componentes também não contribuíram para um resultado mais robusto.
Na análise interanual, a desaceleração do consumo das famílias se torna ainda mais evidente. Após vários anos registrando expansões acima de 3%, o indicador cresceu apenas 0,2% no terceiro trimestre de 2025, na comparação com igual período do ano anterior. O consumo de bens recuou tanto entre duráveis quanto não duráveis, enquanto o consumo de serviços manteve crescimento, porém em ritmo bem mais fraco.
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que reflete investimentos produtivos, caiu 0,4% na comparação anual a primeira queda desde o trimestre móvel encerrado em janeiro de 2023 puxada pelo desempenho frágil de máquinas e equipamentos.
Juros altos freiam atividade
Para Trece, a política monetária restritiva explica grande parte da desaceleração econômica. Com a Selic mantida a 15% ao ano pelo Copom maior nível desde 2006 o crédito mais caro pressiona tanto o consumo quanto os investimentos. A escalada dos juros começou em setembro do ano passado, em meio ao esforço do Banco Central para conter a inflação, que já supera o teto da meta (4,5% ao ano) há 13 meses.
Segundo a economista, o impacto dos juros altos costuma ser defasado e se evidencia agora nos resultados do terceiro trimestre.
Exportações em alta, apesar do “tarifaço”
As exportações foram um dos poucos pontos fortes do período, com alta de 7% na comparação anual o melhor resultado desde maio de 2024. Todos os grupos de produtos apresentaram crescimento, com destaque para a indústria extrativa, responsável por cerca de 44% da expansão.
Trece observa que o avanço ocorreu mesmo com a vigência do tarifaço dos EUA, que impôs sobretaxas de até 50% a parte dos produtos brasileiros. Embora alguns segmentos, como o madeireiro, sejam mais afetados, o impacto não foi suficiente para derrubar o desempenho geral das vendas externas.
Indicadores paralelos e expectativa para o PIB oficial
Além do Monitor do PIB, outro termômetro da economia, o IBC-Br, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (17), registrou queda de 0,2% entre agosto e setembro e recuo de 0,9% no terceiro trimestre ante o segundo. Em 12 meses, no entanto, o índice acumula alta de 3%.
O PIB oficial, calculado pelo IBGE, será divulgado em 4 de dezembro, com os resultados do terceiro trimestre de 2025.
Fonte: Agência Brasil
