Um levantamento divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira (3), por meio da Síntese de Indicadores Sociais 2025, revela que o Ceará avançou no acesso de jovens ao Ensino Médio e ao Ensino Superior entre 2016 e 2024. No entanto, o estudo também indica um retrocesso preocupante no Ensino Fundamental, com aumento do atraso escolar entre crianças.
De acordo com o instituto, as taxas de frequência escolar podem ser observadas sob dois prismas. A taxa “bruta”, que corresponde à proporção de estudantes matriculados em relação ao total de crianças e adolescentes na faixa etária, aponta para um cenário positivo no Ceará. O estado registrou ampliação no atendimento da Primeira Infância, com a inclusão em creches avançando de 33,7% para 39,4%, além de praticamente universalizar a presença de alunos de 6 a 14 anos — grupo que passou de 98,7% para 99,5% no período. Entre adolescentes de 15 a 17 anos, a taxa bruta saltou de 82,2% para 93,7%.
Mesmo com a evolução, o IBGE destaca que nenhuma região do país atingiu plenamente a Meta 1 do Plano Nacional de Educação, que prevê universalização da educação infantil para crianças de 4 e 5 anos e pelo menos 50% de cobertura para aquelas de até 3 anos.
Já a taxa de frequência “líquida”, que considera se o estudante está na série adequada para a idade, mostra avanços e retrocessos. No grupo de 15 a 17 anos, a proporção de jovens cursando o Ensino Médio — etapa correspondente à faixa etária — cresceu de 67,5% para 83,5% em oito anos. O acesso ao Ensino Superior também aumentou, passando de 16,8% para 23,2% entre jovens de 18 a 24 anos.
O ponto crítico está no Ensino Fundamental: crianças de 6 a 14 anos na série correta caíram de 96,7% para 93,4% no período analisado. Para o IBGE, parte desse recuo pode ser reflexo do ingresso tardio na pré-escola durante a pandemia da Covid-19, o que acabou impactando o fluxo escolar dos anos seguintes.
Apesar dos avanços nas faixas mais altas, os desafios no nível educacional dos adultos ainda são expressivos no Ceará. Em 2024, 11,6% das pessoas com 25 anos ou mais não tinham qualquer instrução formal. Já a taxa de analfabetismo entre maiores de 15 anos caiu de 14,4% para 11,8% desde 2016, mas segue sendo a quarta maior do país.
