O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (8) um novo pacote de auxílio financeiro destinado ao setor agrícola, no valor de US$ 12 bilhões (cerca de R$ 65 bilhões). O conjunto de medidas busca compensar prejuízos acumulados por produtores rurais devido aos impactos das políticas tarifárias e das recentes disputas comerciais conduzidas pelo governo.
O anúncio ocorreu durante uma reunião na Casa Branca com representantes do agronegócio. Na ocasião, Trump afirmou que o objetivo é “proteger e defender os agricultores americanos”, classificando o grupo como pilar essencial de sua base política.
Desde o retorno de Trump ao comando do país, em janeiro, o setor agrícola vem pressionando por respostas às perdas provocadas por tarifas sobre insumos e produtos importados, além das ações de retaliação adotadas por parceiros comerciais, especialmente a China. A queda nas exportações de soja — uma das principais commodities dos EUA — tornou-se símbolo das dificuldades enfrentadas pelos produtores.
O presidente declarou que o valor destinado ao pacote será retirado de “uma pequena parcela” das receitas arrecadadas com tarifas impostas a outros países. A maior parte do montante será distribuída diretamente aos agricultores, em pagamentos emergenciais voltados a compensar o recuo nas vendas e a baixa nos preços de produtos agrícolas.
Durante a reunião, Trump afirmou acreditar que o presidente chinês, Xi Jinping, deverá ampliar as compras de soja americana após o recente encontro entre ambos na Coreia do Sul, indicando uma possível melhora no comércio bilateral.
Comparações com o primeiro mandato — quando produtores também foram afetados por tarifas — voltaram a marcar o debate. Entre 2018 e 2019, perdas de exportação estimadas em mais de US$ 27 bilhões levaram o governo a liberar cerca de US$ 23 bilhões em auxílios emergenciais. Agora, a secretária de Agricultura, Brooke Rollins, detalhou que US$ 11 bilhões do novo pacote irão diretamente para cultivos agrícolas, enquanto US$ 1 bilhão será reservado para regiões consideradas mais vulneráveis.
Além disso, Trump reafirmou que pretende ajudar pecuaristas diante da alta no preço da carne bovina, impulsionada por fatores como seca e redução das importações do México por questões sanitárias — custos que também pressionam consumidores americanos.
O anúncio ocorre em meio ao aumento das críticas da população ao custo de vida e às políticas tarifárias do governo. Em resposta, Trump reconheceu nesta segunda-feira que existe um “problema de acessibilidade” enfrentado pela população, discurso que contrasta com declarações anteriores, nas quais minimizava o tema.
Nos próximos meses, o presidente iniciará uma série de viagens pelos Estados Unidos para reforçar sua agenda econômica, começando por um discurso na Pensilvânia nesta terça-feira.
