Depois de avançar com políticas voltadas ao envelhecimento saudável, a Califórnia tem se destacado por iniciativas inovadoras que colocam os próprios idosos no centro das soluções. Entre elas, ganham espaço os programas de aconselhamento de pares, modelo em que voluntários da terceira idade atuam como orientadores de pessoas da mesma faixa etária, oferecendo escuta, apoio prático e incentivo à autonomia.
Presentes na maioria dos condados da região da Baía de San Francisco, esses programas funcionam com voluntários que recebem treinamento básico e atuam sob supervisão de psicólogos ou assistentes sociais clínicos. A proposta é simples, mas eficaz: promover vínculos, reduzir o isolamento e fortalecer a saúde emocional tanto de quem recebe quanto de quem oferece o apoio. “É uma relação de ganho mútuo. Os voluntários encontram propósito, e os participantes se sentem acolhidos e menos sozinhos”, destacou a psicóloga Anat Louis em entrevista a um portal local.
Louis integra a organização Wise and Healthy Aging, com sede em Santa Monica, onde a iniciativa teve início ainda na década de 1970, idealizada pela terapeuta Evelyn Freeman. Ao longo dos anos, o modelo ultrapassou as fronteiras da Califórnia, sendo adotado em outros estados norte-americanos e também em países como Canadá e Dinamarca.
O trabalho desenvolvido pelos voluntários vai além da escuta. Pessoas como Rita Wengler, de 73 anos, ajudam idosos a lidar com questões do dia a dia, como acesso a programas de assistência alimentar, procura por moradia mais adequada ou identificação de riscos dentro de casa. Em alguns casos, acompanham os atendidos a centros comunitários ou simplesmente oferecem presença e atenção. “Muitas vezes, o que a pessoa mais precisa é alguém que a escute”, resume.
Outro destaque nesse cenário é o programa PEARLS — sigla para Program to Encourage Active, Rewarding Lives (Programa para Encorajar Vidas Ativas e Gratificantes). A iniciativa é voltada a idosos com quadros de depressão leve ou distimia, além de adultos com epilepsia, e foi desenvolvida pelo Centro de Pesquisa e Promoção da Saúde da Universidade de Washington, em parceria com serviços sociais de Seattle.
O PEARLS busca ampliar a qualidade de vida de pessoas que não têm acesso ou não procuram o tratamento psiquiátrico tradicional. Em vez da psicoterapia convencional, o programa adota uma abordagem prática, focada no fortalecimento da autonomia e na construção de estratégias para enfrentar dificuldades cotidianas. O método se baseia em três eixos: resolução de problemas, estímulo à atividade social e física e retomada de atividades prazerosas.
Com duração média de quatro a cinco meses, o programa inclui de seis a oito encontros de cerca de 50 minutos, realizados preferencialmente na casa do participante ou em espaços comunitários. A escolha do local facilita o acesso e reduz o estigma associado ao atendimento em saúde mental. As sessões são conduzidas por assistentes sociais ou agentes comunitários de saúde, sempre com supervisão especializada.
As experiências da Califórnia reforçam uma tendência crescente: políticas públicas que valorizam o envelhecimento ativo e reconhecem o papel dos próprios idosos como agentes de cuidado, apoio e transformação social.
