Itapipoca mantém posto de gasolina mais caro do Ceará, aponta ANP

Sucessivas divulgações ao longo dos anos evidenciam a persistência das altas cifras no local.
Compartilhe

Itapipoca voltou a liderar o ranking da gasolina comum mais cara do Ceará. De acordo com o levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referente ao período de 28 de dezembro a 3 de janeiro, o preço médio do litro no município chegou a R$ 6,62, o maior do Estado.

O cenário não é novidade. Há anos, a cidade figura entre as mais caras quando o assunto é abastecer o veículo, não apenas no Ceará, mas também no contexto nacional. A diferença pesa no bolso dos motoristas e evidencia um contraste significativo entre municípios cearenses.

No comparativo estadual, a variação do custo para encher o tanque ultrapassa 34%. Em Quixadá, onde foi registrado o menor preço da gasolina no Ceará, abastecer um carro com tanque de 45 litros custa cerca de R$ 257,85. Em Itapipoca, o valor sobe para aproximadamente R$ 297,90. Para veículos com capacidade de 55 litros, o gasto pode chegar a R$ 364,10 no município mais caro, contra R$ 315,15 no mais barato.

Segundo especialistas do setor, fatores logísticos e de mercado ajudam a explicar a diferença. O consultor em petróleo e gás Bruno Iughetti aponta que o custo do frete até Itapipoca tende a ser maior, o que impacta diretamente o preço final. Além disso, o volume de vendas influencia o valor cobrado nas bombas. “Postos que comercializam menos combustível têm custos operacionais mais altos, o que acaba sendo repassado ao consumidor”, explica.

A estrutura do mercado local também pesa. Para Antônio José, assessor econômico do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Ceará (Sindipostos-CE), a menor concorrência em Itapipoca contribui para os preços elevados. “Em cidades onde há poucos postos, as distribuidoras conseguem praticar valores mais altos. Já em municípios como Quixadá, a disputa é maior, o que força melhores condições comerciais e preços mais baixos”, afirma.

Ele reforça que os valores seguem a lógica do livre mercado e que o Sindipostos não tem atribuição para intervir nos preços praticados. “Cada cidade tem sua dinâmica própria. As distribuidoras trabalham com preços diferenciados, inclusive dentro de um mesmo município, de acordo com oferta e demanda”, completa.

No levantamento mais recente da ANP, nove municípios cearenses foram analisados, com dados coletados em 115 postos. Quixadá registrou o litro da gasolina a R$ 5,73 — 14,4% abaixo do valor médio de Itapipoca — e figurou entre os cinco preços mais baixos do Brasil entre as cidades pesquisadas. A média estadual ficou em R$ 6,16 por litro, próxima ao valor encontrado em Fortaleza, de R$ 6,12.

No cenário nacional, Itapipoca aparece na 32ª posição entre os municípios com gasolina mais cara do País. O ranking é liderado por cidades da região Norte. Parintins, no Amazonas, apresentou o maior preço do Brasil no período, com R$ 8,29 por litro. Cruzeiro do Sul (AC), com R$ 7,97, e Rio Branco (AC), com R$ 7,27, completam o topo da lista.

A tendência para 2026 é de pressão adicional sobre os preços. Desde 1º de janeiro, gasolina e diesel sofreram reajuste em todo o País devido ao aumento do ICMS, definido pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). O imposto subiu R$ 0,10 por litro da gasolina e R$ 0,05 no diesel, o que deve continuar impactando o custo do abastecimento para os consumidores brasileiros.

Você pode gostar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode se interessar
Publicidade