Estudo britânico indica que oxímetros erram mais em pessoas de pele escura

Todos apresentaram o mesmo padrão:
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Oxímetros de dedo usados em casa, amplamente adotados durante a pandemia de Covid-19, podem apresentar leituras imprecisas em pessoas com pele mais escura, ao indicar níveis de oxigênio no sangue acima dos valores reais. A falha pode atrasar o atendimento médico em casos de hipóxia, condição potencialmente grave. A conclusão é de um amplo estudo realizado no Reino Unido e publicado nesta quarta-feira (data) na revista científica The BMJ.

A pesquisa analisou mais de 11 mil medições e mostrou que diferenças aparentemente pequenas nas leituras são suficientes para impedir a identificação correta da queda na oxigenação do sangue. O problema está relacionado à superestimação da saturação de oxigênio (SpO₂) em determinados grupos de pacientes.

O oxímetro é um dispositivo simples e indolor, utilizado com um sensor no dedo, que emprega feixes de luz para estimar a quantidade de oxigênio no sangue e a frequência cardíaca. Ele é amplamente usado para monitorar sinais de alerta quando a oxigenação está abaixo do normal.

No estudo, pesquisadores da Universidade de Plymouth avaliaram cinco modelos de oxímetros distribuídos pelo sistema público de saúde britânico para uso domiciliar. Todos apresentaram o mesmo padrão: leituras mais altas do que o real em pacientes com pele mais escura. Na prática, isso significa que pessoas com níveis perigosamente baixos de oxigênio podem não receber o alerta para procurar assistência médica.

De acordo com os dados, os valores de SpO₂ foram, em média, entre 0,6 e 1,5 ponto percentual mais elevados nesses pacientes. Embora a diferença pareça pequena, ela aumentou de forma significativa os chamados falsos negativos, quando o aparelho deixa de identificar a hipóxia. Em alguns casos, o risco de o oxímetro não detectar o problema foi de duas a sete vezes maior, dependendo do modelo e do limite adotado para acionar atendimento médico.

A análise foi baseada em dados de 903 adultos internados em 24 unidades de terapia intensiva do sistema público de saúde inglês, entre 2022 e 2024. Nesse ambiente, foi possível comparar simultaneamente a leitura do oxímetro com a gasometria arterial, considerada o método mais preciso para medir a oxigenação do sangue. O tom de pele foi avaliado com um espectrofotômetro, evitando classificações subjetivas. Ao todo, foram examinadas 11.018 medições pareadas.

Os pesquisadores consideraram dois limites clínicos relevantes: saturação igual ou inferior a 94%, utilizada como alerta para buscar ajuda médica, e 92% ou menos, indicativo de necessidade de ida ao pronto-socorro.

Os autores do estudo ressaltam que o uso do oxímetro não deve ser descartado, mas feito com cautela. Segundo eles, as leituras devem ser interpretadas em conjunto com outros sinais clínicos e com a evolução ao longo do tempo, e não como um valor isolado, especialmente em pessoas com pele mais escura. O grupo também defende mudanças nas normas técnicas e na regulação dos dispositivos, para garantir testes de precisão com maior diversidade de tons de pele.

Embora o estudo seja observacional o que limita conclusões definitivas de causa e efeito e tenha sido realizado com pacientes gravemente enfermos, os pesquisadores destacam a robustez dos dados. O grande número de medições, a avaliação objetiva do tom de pele e a comparação direta com exames laboratoriais de alta precisão fazem do trabalho uma das análises mais consistentes já realizadas sobre o tema.

Fonte: G1

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