Milhões de mulheres enfrentam os impactos da menopausa no ambiente de trabalho, com reflexos diretos na produtividade e na economia. Apesar disso, o tema ainda recebe pouca atenção por parte das empresas. No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que cerca de 30 milhões de mulheres estão na faixa etária do climatério e da menopausa, o que corresponde a 7,9% da população feminina.
Um estudo publicado no fim de 2023 pela revista científica Menopause – The Journal of The Menopause Society aponta que mais de uma em cada três brasileiras que já passaram pela menopausa relatam sofrer ondas de calor moderadas ou intensas. Esses e outros sintomas afetam diretamente o desempenho profissional.
Além dos fogachos, são comuns dores articulares, palpitações, dificuldades de concentração, alterações de humor e queda da autoestima. Embora a menopausa deixe de ser um tabu absoluto, muitas mulheres ainda têm suas queixas desconsideradas, especialmente no ambiente corporativo.
O período costuma ter início após os 40 anos e pode se estender por até 15 anos. Em muitos casos, essa fase coincide com um momento de retomada ou aceleração da carreira, quando os filhos já estão crescidos. No entanto, a falta de compreensão e de políticas de apoio transforma o que poderia ser um recomeço em frustração profissional.
Impacto econômico e escassez de mão de obra
Na Alemanha, o cenário é semelhante. Cerca de um terço das mulheres na menopausa relatam sintomas moderados a graves. Atualmente, aproximadamente 11 milhões de alemãs vivem essa fase, sendo que mais de nove milhões estão inseridas no mercado de trabalho o equivalente a cerca de um quinto da população economicamente ativa.
Ao mesmo tempo, um terço das empresas alemãs aponta falta de mão de obra qualificada, segundo levantamento do Instituto Ifo realizado em março de 2024. Esse quadro tende a se agravar com o envelhecimento da população.
De acordo com Andrea Rumler, da Escola de Economia e Direito de Berlim, os efeitos da menopausa geram um prejuízo anual estimado em 9,5 bilhões de euros (cerca de R$ 60 bilhões) à economia alemã, além da perda de aproximadamente 40 milhões de dias de trabalho por ano.
Em pesquisa realizada em 2023 com mais de duas mil mulheres entre 28 e 67 anos, Rumler constatou que quase um quarto reduziu a jornada de trabalho devido aos sintomas da menopausa. Cerca de 20% mudaram de emprego e uma em cada dez relatou aposentadoria precoce motivada por essa condição.
Dificuldades maiores em algumas profissões
Determinadas atividades tornam o enfrentamento da menopausa ainda mais complexo. Profissionais que atuam em espaços públicos, como policiais, professoras, enfermeiras, cuidadoras infantis e vendedoras, muitas vezes não têm acesso imediato a banheiros ou a pausas necessárias para lidar com sintomas como sangramentos intensos ou problemas urinários.
Esse aspecto é especialmente relevante na Alemanha, onde setores com alta presença feminina como enfermagem (85%), educação (73%), serviços administrativos (mais de 65%) e comércio e vendas (quase 62%) também figuram entre os que mais sofrem com a escassez de profissionais qualificados.
Tabu, estigma e falta de informação
O medo da estigmatização ainda silencia muitas mulheres. Mais da metade das entrevistadas por Rumler afirmou que a menopausa continua sendo um tema tabu no local de trabalho. Vergonha, desinformação e receio de julgamentos fazem com que muitas sofram em silêncio.
Especialistas defendem que as empresas adotem ações de conscientização, envolvendo não apenas as funcionárias, mas também gestores e equipes de recursos humanos. Medidas simples, como horários flexíveis, pausas planejadas, reorganização de tarefas e melhor acesso a banheiros, podem melhorar significativamente o desempenho e o bem-estar das trabalhadoras.
Além disso, médicos do trabalho e profissionais de RH precisam de capacitação específica sobre menopausa, um tema ainda pouco explorado em pesquisas e políticas corporativas, mas com impactos claros sobre a saúde, a carreira das mulheres e a economia como um todo.
Fonte: G1
