O pai de um dos adolescentes investigados pela morte do cachorro comunitário conhecido como Orelha, em Florianópolis (SC), afirmou que defende a responsabilização dos envolvidos e que não se oporá a uma punição caso a participação do filho seja confirmada. Ao mesmo tempo, ele destacou que, até agora, não há provas conclusivas que sustentem as acusações.
Em entrevista exibida pelo programa Fantástico neste domingo (1º), o homem — que teve a identidade preservada — ressaltou que a família não compactua com atitudes ilegais ou violentas. Segundo ele, a educação dada ao jovem sempre foi pautada pela responsabilidade e pelo respeito às consequências dos próprios atos.
“O que defendemos é justiça. Se houver comprovação, ele terá que responder. Mas é preciso que isso seja baseado em fatos, e não apenas em acusações repetidas sem provas concretas”, afirmou. O pai também disse esperar que a investigação esclareça completamente o caso e que adolescentes eventualmente inocentes sejam publicamente isentados. Já aqueles que tiverem alguma participação comprovada, segundo ele, devem ser responsabilizados de forma proporcional à gravidade de seus atos.
Investigação enfrenta falta de registros diretos
De acordo com a reportagem, a Polícia Civil de Santa Catarina já colheu depoimentos de mais de 20 pessoas e analisa cerca de mil horas de imagens de câmeras de segurança instaladas na região da Praia Brava, no norte da capital, onde o crime teria ocorrido.
A delegada da Proteção Animal, Mardjoli Valcareggi, informou que, até o momento, não existem imagens nem testemunhas que tenham flagrado diretamente a agressão contra o animal. “Não temos o registro do instante exato do ataque. O que existe é um conjunto de indícios que apontam para a possível participação de adolescentes. Nosso trabalho é reunir essas evidências e entender, de forma precisa, o que aconteceu”, explicou.
Um símbolo da comunidade
Orelha tinha aproximadamente dez anos e vivia solto na região, sendo cuidado coletivamente por moradores da Praia Brava. Ele era um dos três cães que se tornaram mascotes informais do bairro, recebendo alimentação, abrigo e atenção da comunidade local.
Em nota divulgada no dia 16 de janeiro, a Associação de Moradores descreveu o animal como parte da rotina do bairro. “Orelha representava uma convivência simples e afetuosa entre os moradores e os animais que compartilham esse espaço”, destacou a entidade.
Após desaparecer por alguns dias, o cachorro foi encontrado ferido e em estado grave por uma das pessoas que costumava cuidar dele. Ele foi levado a uma clínica veterinária, mas, devido à extensão das lesões, os profissionais optaram pela eutanásia para evitar sofrimento prolongado.
Suspeitas e apuração paralela
A Polícia Civil investiga a possível participação de quatro adolescentes nas agressões. No dia 26 de janeiro, foram realizadas diligências em endereços ligados aos suspeitos. Paralelamente, a corporação apura uma denúncia de que um policial civil, supostamente pai de um dos investigados, teria tentado coagir uma testemunha.
A delegada responsável confirmou que a denúncia está sendo analisada, mas negou qualquer indício de envolvimento de agentes de segurança pública na agressão ao animal.
