Novo cabo submarino promete impulsionar a internet no Ceará e reforça papel estratégico de Fortaleza

Projeto Synapse, da V.tal, terá 9.700 km de extensão, conecta São Paulo aos Estados Unidos e reforça o Ceará como hub global de dados.
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Um novo cabo submarino em desenvolvimento pela empresa V.tal deve elevar significativamente a qualidade da conexão de internet no Ceará e no Brasil. O projeto, que liga diretamente o país aos Estados Unidos, promete maior velocidade de download, redução de atrasos em transmissões ao vivo e mais estabilidade em chamadas de áudio e vídeo, especialmente em comunicações internacionais.

Batizado de Synapse, o sistema contará com 16 pares de fibra óptica e aproximadamente 9.700 quilômetros de extensão, conectando a cidade de Tuckerton, nos Estados Unidos, a São Paulo. A infraestrutura foi pensada para atender à crescente demanda de grandes empresas de tecnologia, soluções em nuvem e aplicações de Inteligência Artificial, setores que exigem alto volume e rapidez na troca de dados.

Fortaleza entra no trajeto do cabo por meio de uma Branching Unit (BU) — equipamento submarino que permite a criação de ramificações ao longo da rota principal. Essa extensão acrescenta cerca de 460 quilômetros ao percurso e viabiliza a ligação direta com o Mega Lobster, data center da Tecto inaugurado no fim de 2025, considerado o maior do Nordeste, com capacidade total de 20 megawatts.

Impactos diretos para usuários e empresas

Segundo o professor de Telecomunicações da Universidade Federal do Ceará (UFC), Rodrigo Porto, a chegada do novo cabo deve trazer ganhos perceptíveis para os usuários comuns. Entre os principais benefícios estão o acesso mais rápido a conteúdos hospedados no exterior e a diminuição de falhas e atrasos em streamings e chamadas internacionais.

Para empresas que produzem, armazenam e distribuem grandes volumes de dados, os impactos são ainda maiores. “Há um ganho expressivo de desempenho da internet em larga escala, permitindo atender mais usuários com maior qualidade”, explica o professor. Ele destaca ainda que o projeto possui padrão internacional de capacidade e que a integração com o data center Mega Lobster aumenta a redundância da rede e reduz a latência no tráfego de informações.

A conexão direta entre Fortaleza e São Paulo também amplia as alternativas de interligação entre a capital cearense e o principal centro econômico do país, complementando as rotas terrestres já existentes.

Fortaleza como hub global de conectividade

A inclusão de Fortaleza no projeto reforça o protagonismo da cidade no tráfego internacional de dados entre a América do Sul e os Estados Unidos. Para Rodrigo Porto, a ramificação do Synapse confirma que a capital cearense é um ponto estratégico na arquitetura das comunicações digitais globais.

Fatores como a localização geográfica privilegiada, a infraestrutura logística e a presença de um ecossistema consolidado de data centers — especialmente na região da Praia do Futuro — tornam Fortaleza altamente atrativa para projetos desse porte.

Dados da Empresa de Tecnologia e Informação do Ceará (Etice) indicam que, em fevereiro de 2023, Fortaleza concentrava 18 cabos submarinos de dados. Ao lado de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, e de Singapura, a capital cearense figura entre os maiores polos globais de conectividade submarina. Desse total, 16 cabos estão registrados no Submarine Cable Map, plataforma que reúne informações sobre mais de 400 cabos ao redor do mundo.

Além de fortalecer a infraestrutura digital, a diversidade de cabos submarinos impulsiona a economia local, atraindo investimentos, empresas de tecnologia e empregos qualificados.

Cronograma e expansões futuras

De acordo com a V.tal, o novo sistema terá capacidade para transportar circuitos de até 800 gigabits por segundo (Gbps). O início das obras está previsto para o segundo semestre de 2026, com conclusão estimada entre 2029 e 2030.

O projeto também prevê futuras ramificações para cidades como Recife, Salvador e Rio de Janeiro, além de uma possível extensão até a Colômbia. No território brasileiro, o cabo terá ancoragem em Praia Grande, no litoral paulista, com uma nova rota terrestre em fibra óptica até São Paulo.

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