Como agia a quadrilha que furtava veículos de locadoras

Uma organização criminosa especializada em golpes contra locadoras de veículos foi desarticulada pela Polícia Civil do Ceará (PCCE).
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Uma organização criminosa especializada em golpes contra locadoras de veículos foi desarticulada pela Polícia Civil do Ceará (PCCE). Um dos integrantes do grupo, Willyano Ferreira da Silva, foi condenado pela Justiça Estadual a seis anos de prisão, em regime semiaberto, pelos crimes de integrar organização criminosa e receptação. A sentença foi proferida pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas na última sexta-feira (30).

Apesar da condenação, o colegiado de juízes concedeu ao réu o direito de recorrer em liberdade, considerando a inexistência dos requisitos para prisão cautelar. Willyano foi absolvido da acusação de uso de documento falso. Outro acusado, preso na mesma operação, também foi absolvido do crime de receptação.

A dupla foi presa em flagrante no dia 8 de janeiro de 2019. Willyano foi localizado em Cedro, no estado de Pernambuco, enquanto o outro suspeito foi detido em Barbalha, na Região do Cariri cearense.

Durante o processo, a defesa de Willyano, representada pela Defensoria Pública Geral do Ceará, alegou que não estariam comprovados os requisitos legais para caracterização de organização criminosa, como estabilidade, permanência e divisão estruturada de tarefas. Em relação à receptação, sustentou a ausência de provas que ligassem diretamente o acusado aos veículos com irregularidades.

Willyano Ferreira da Silva também é investigado por suposta participação no assassinato do prefeito de Granjeiro, João Gregório Neto, conhecido como “João do Povo”, ocorrido em dezembro de 2019. Esse processo tramita sob sigilo de Justiça. Segundo a Vara de Delitos de Organizações Criminosas, alguns veículos obtidos de forma ilícita pelo grupo teriam sido utilizados na execução do crime.

As investigações, conduzidas pela Delegacia de Polícia de Brejo Santo, apontaram que a quadrilha alugava automóveis de locadoras e, utilizando documentos falsos, realizava a transferência irregular da propriedade dos veículos sem o consentimento das empresas. As fraudes eram feitas, principalmente, por meio do Detran de Brejo Santo, e os carros acabavam sendo vendidos a terceiros de boa-fé ou alugados, sobretudo para motoristas de aplicativos.

De acordo com o Ministério Público do Ceará (MPCE), a organização criminosa era formada por cerca de 20 integrantes, com atuação hierarquizada e funções bem definidas, como aluguel dos veículos, transferência documental e confecção de documentos falsos.

No dia das prisões, policiais abordaram um Peugeot 2008 no município do Crato, veículo que teria sido desviado pelo grupo. O motorista alegou ter recebido o carro emprestado de Willyano. Na sequência, os investigadores localizaram o acusado em Pernambuco e apreenderam com ele o CRLV do automóvel, registrado em nome de outra pessoa.

Conforme relato policial, Willyano teria confessado que sua função no esquema era adulterar documentos, colando sua própria foto para se passar por terceiros e, assim, viabilizar a transferência ilegal dos veículos.

Fonte: Diário do Nordeste

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