Pelo sexto dia consecutivo, Estados Unidos e Israel realizam ataques aéreos contra alvos no Irã, intensificando um conflito travado principalmente pelo ar. Enquanto a possibilidade de uma ofensiva terrestre ainda é incerta, grupos curdos de oposição ao governo iraniano afirmam que se preparam há décadas para entrar na guerra, caso as condições permitam.
Líderes curdos exilados no norte do Iraque disseram à BBC que mantêm planos antigos de atravessar a fronteira para lutar contra o regime iraniano. No entanto, negam que qualquer combatente já tenha iniciado esse movimento. Segundo Hana Yazdanpana, do Partido da Liberdade do Curdistão (PAK), nenhuma unidade peshmerga como são conhecidos os combatentes curdos foi mobilizada até agora.
Ela afirma que seis grupos de oposição curdos formaram recentemente uma coalizão para coordenar ações políticas e militares. Mesmo assim, a expectativa é que qualquer avanço dependa primeiro de operações militares dos EUA que enfraqueçam as defesas iranianas. Entre as condições citadas estão a destruição de depósitos de armas do regime e a criação de uma zona de exclusão aérea que permita movimentação segura das forças curdas.
A Casa Branca negou rumores de que o presidente Donald Trump esteja planejando armar esses grupos, embora muitos combatentes curdos já tenham recebido treinamento de forças americanas no passado durante operações contra o grupo Estado Islâmico.
Enquanto crescem as especulações sobre uma possível entrada dos curdos na guerra, o Irã tem intensificado ataques contra bases desses grupos. Um dos bombardeios, com míssil balístico, atingiu uma base do PAK e matou um combatente. Em resposta, algumas organizações retiraram forças de suas bases para evitar novas baixas.
Para os líderes curdos, participar de um eventual colapso do regime iraniano seria arriscado, mas também visto como uma oportunidade histórica. Os curdos, que formam cerca de 10% da população do Irã e são o quarto maior grupo étnico do Oriente Médio, estão espalhados entre Irã, Iraque, Síria e Turquia e carregam um longo histórico de perseguições.
Apesar das incertezas sobre o apoio internacional, dirigentes da oposição afirmam que desejam participar de qualquer mudança política no país. Já o governo iraquiano alertou que não permitirá que grupos armados utilizem seu território para atravessar a fronteira e atacar o Irã, temendo que o país seja arrastado para o conflito regional.
Fonte: G1
