Um grupo de seis pessoas presas pela Polícia Federal em maio de 2024, no Aeroporto de Fortaleza, ao tentar embarcar para Paris transportando cápsulas de cocaína dentro do corpo e escondidas nas partes íntimas, aguarda julgamento na Justiça Federal do Ceará. O caso segue sem desfecho devido à complexidade do processo, já que os réus apresentam situações distintas perante a Justiça.
Apontados como “mulas” do tráfico internacional, os acusados relataram que foram recrutados para integrar um esquema que exigia preparação física rigorosa, incluindo o uso de medicamentos para facilitar a ingestão e o transporte da droga no organismo. Em troca, receberiam valores entre R$ 5 mil e R$ 20 mil. Todos confessaram participação e afirmaram ter sido aliciados, além de ameaçados para não desistirem da operação.
A Justiça marcou para o dia 11 de junho uma nova tentativa de iniciar as audiências de instrução. Esta é a segunda vez que a etapa é agendada a primeira, prevista para agosto de 2025, não ocorreu devido a entraves como réus presos em diferentes estados, dificuldades de localização e a existência de um foragido, que segue sem ser encontrado.
Entre os envolvidos, há um acusado com pedido de inclusão na lista de difusão vermelha da Interpol, enquanto outros permanecem presos por descumprimento de medidas judiciais ou por envolvimento em outros processos. Parte do grupo responde em liberdade provisória, mediante cumprimento de medidas cautelares.
De acordo com o Ministério Público Federal, o esquema foi descoberto após agentes da Polícia Federal desconfiarem do comportamento do grupo no momento do embarque. Os suspeitos apresentaram nervosismo e deram respostas contraditórias durante a abordagem. Após revista e exames de raio-X corporal, foram identificadas cápsulas de droga no interior dos corpos.
Uma das investigadas chegou a retirar parte do material ainda no aeroporto, após não conseguir ingerir toda a quantidade exigida, relatando ter sido forçada a esconder parte da droga no corpo. No total, centenas de cápsulas foram expelidas pelos envolvidos sob acompanhamento médico, confirmando-se posteriormente, por perícia, tratar-se de cocaína.
As investigações apontam que o recrutamento era direcionado, em sua maioria, a pessoas em situação de vulnerabilidade financeira. Os transportadores recebiam orientações detalhadas, desde a ingestão da droga até a entrega no destino final. Em Paris, deveriam permanecer em um hotel por alguns dias até expelir todo o material e realizar a entrega a contatos do esquema.
O caso evidencia a atuação de organizações criminosas que exploram fragilidades sociais para alimentar o tráfico internacional de drogas, utilizando rotas aéreas e métodos de alto risco para o transporte de entorpecentes.
Diário do Nordeste
