Sedentarismo avança entre adolescentes e é maior na rede privada do Ceará

O levantamento, que analisa hábitos de jovens de 13 a 17 anos em todo o país, aponta que a diferença acompanha uma tendência nacional.
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O comportamento sedentário entre adolescentes tem crescido no Ceará, com maior incidência entre estudantes da rede privada. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) mostram que 57,7% desses alunos passam mais de três horas por dia sentados, desconsiderando o tempo em sala de aula e deslocamentos. Na rede pública, o índice é de 38,8%.

O levantamento, que analisa hábitos de jovens de 13 a 17 anos em todo o país, aponta que a diferença acompanha uma tendência nacional. No Brasil, o sedentarismo atinge 58,5% dos estudantes de escolas particulares, enquanto entre alunos da rede pública o percentual é de 41,9%. Em Fortaleza, o cenário segue o mesmo padrão observado no restante do estado. Entre os estudantes da rede privada, 57,4% relataram longos períodos de inatividade, frente a 48,3% na rede pública. Em todas as capitais brasileiras, os índices entre alunos de escolas particulares ultrapassam a marca de 50%.

Entre os fatores associados ao avanço do sedentarismo estão o maior acesso a dispositivos eletrônicos e o tempo prolongado diante de telas. No Ceará, 35,6% dos adolescentes passam mais de duas horas diárias consumindo conteúdos em televisão, celulares ou outras plataformas digitais, percentual que sobe para 41,1% entre estudantes da rede privada.

A pesquisa também revela lacunas no acesso à prática de atividades físicas nas escolas. Cerca de 31,3% dos estudantes cearenses afirmaram não ter tido nenhuma aula de educação física na semana anterior ao levantamento. O índice é mais elevado na rede privada, chegando a 39,5%, contra 30,2% na rede pública. Especialistas alertam que o sedentarismo na adolescência representa um risco relevante à saúde pública. Entre as consequências estão problemas metabólicos e cardiovasculares, além de impactos na saúde mental, como ansiedade e depressão. O aumento de casos de sobrepeso entre jovens também preocupa, com registros cada vez mais precoces de doenças como diabetes tipo 2 e hipertensão.

Outro ponto de atenção é o início cada vez mais cedo desses hábitos. Entre adolescentes de 13 a 15 anos, o tempo de exposição às telas é ainda maior, indicando tendência de agravamento ao longo dos anos. Apesar de a educação física ser obrigatória na educação básica, desafios estruturais e de organização curricular ainda limitam a prática regular de atividades físicas nas escolas. A ampliação do ensino em tempo integral, por exemplo, exige adaptações para evitar rotinas excessivamente teóricas.

Para especialistas, o enfrentamento do sedentarismo também passa pelo ambiente familiar, com incentivo à prática de exercícios e à adoção de hábitos mais saudáveis no cotidiano.

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