Três homens acusados de participação em uma tentativa de chacina registrada no bairro Quintino Cunha, em Fortaleza, em julho de 2024, irão a júri popular após decisão da Justiça do Ceará proferida no último dia 28 de abril. O crime deixou duas pessoas mortas e outras duas feridas, em um caso que, segundo as investigações, teria sido motivado por disputas entre facções criminosas e uma suposta traição interna ligada ao tráfico de drogas.
O julgamento será realizado pela 2ª Vara do Júri de Fortaleza, mas a data ainda não foi definida.
O ataque aconteceu na tarde de 14 de julho de 2024, em via pública, enquanto as vítimas conversavam e consumiam bebida alcoólica nas proximidades de uma praça. Morreram Antônia Glauciene de Souza Abreu, conhecida como “Vovozinha”, e João Marcos Nunes do Nascimento. Outras duas pessoas da mesma família sobreviveram aos disparos.
Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), os acusados seriam integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), enquanto as vítimas teriam ligação familiar com uma liderança local do Comando Vermelho (CV), facção rival.
A investigação aponta que o crime ocorreu em uma área conhecida como Comunidade do Sossego, território dividido entre facções. Francisco Lindolfo de Souza, um dos réus, seria apontado como liderança criminosa da região e mandante da ação.
Também vão a julgamento Welison Douglas Souza Gonçalves, o “DG”, e Leylson de Sousa Abreu, o “Barata”, apontados como executores dos disparos. Lindolfo ainda responderá pelo crime de organização criminosa.
De acordo com os autos, o ataque teria sido motivado por uma represália após Antônia Glauciene supostamente contrair dívida com o PCC e migrar para uma área dominada pelo CV. Parte da família dela também teria deixado a facção paulista para integrar o grupo rival.
As investigações revelaram ainda que a ação foi comemorada por integrantes da organização criminosa logo após o atentado. Mensagens extraídas de celulares apreendidos mostram suspeitos celebrando as mortes e tratando o ataque como uma “chacina”.
Outro ponto destacado pela Polícia Civil é que um dos investigados possuía ligação interestadual com a facção, com contatos em diferentes estados do país, o que reforçou a tese de atuação articulada.
Além dos réus encaminhados a julgamento, outras três pessoas denunciadas inicialmente foram impronunciadas por falta de provas suficientes e tiveram as prisões revogadas.
Todos os acusados que irão a júri popular permanecem presos preventivamente. A defesa de um dos réus informou que pretende recorrer da decisão judicial.
Fonte: Diário do Nordeste
