WhatsApp Image 2026-07-01 at 14.20.18

Meta enfrenta demissões e críticas internas em meio à corrida pela IA

Nesse contexto surgiu a polêmica "Iniciativa de Aprimoramento das Capacidades do Modelo", lançada em abril e suspensa em 22 de junho.
Compartilhe

A corrida da Meta pela liderança em inteligência artificial (IA) tem cobrado um preço alto dentro da empresa. Demissões em massa, monitoramento de funcionários e uma crescente fuga de talentos alimentam um ambiente de trabalho descrito por empregados como tóxico, apesar dos resultados financeiros robustos da gigante de tecnologia.

Há mais de um ano, a controladora de Facebook, Instagram e WhatsApp promove uma ampla reestruturação, marcada por cortes de pessoal, mudanças na divisão de IA e aumento da pressão sobre as equipes.

O cenário contrasta com o desempenho financeiro da companhia. Impulsionada principalmente pela receita com publicidade, a Meta registrou lucro de quase US$ 23 bilhões (cerca de R$ 119 bilhões) no primeiro trimestre, alta de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ao mesmo tempo, os investimentos em inteligência artificial dispararam.

Sob a liderança de Mark Zuckerberg, fundador e principal acionista da empresa, a Meta intensificou o controle sobre os funcionários e reduziu drasticamente seu quadro de pessoal. Somente neste ano, cerca de 8 mil vagas foram eliminadas, o equivalente a quase 10% da força de trabalho. Considerando demissões, extinção de cargos e transferências compulsórias, quase um quinto dos empregados foi afetado em apenas 12 meses.

Veículos da imprensa americana relatam que o clima interno se deteriorou, com funcionários vivendo sob o temor constante de novas demissões. A sucessão de rumores, segundo esses relatos, tem comprometido a produtividade e aumentado a insegurança entre as equipes.

Os cortes fazem parte da estratégia para financiar a expansão da infraestrutura voltada à IA. A Meta pretende investir até US$ 145 bilhões (aproximadamente R$ 750 bilhões) na área este ano, quase o dobro do desembolsado em 2025.

Monitoramento de funcionários

Após a transferência de cerca de 6,5 mil funcionários para a divisão de inteligência artificial, parte deles passou a relatar tarefas repetitivas voltadas ao treinamento de modelos de IA em alguns casos, para automatizar as próprias atividades.

Nesse contexto surgiu a polêmica “Iniciativa de Aprimoramento das Capacidades do Modelo”, lançada em abril e suspensa em 22 de junho. O programa coletava informações como cliques, digitação e histórico de navegação de funcionários nos Estados Unidos para treinar sistemas de inteligência artificial.

Durante uma reunião interna, Zuckerberg defendeu a iniciativa ao afirmar que “os modelos de IA aprendem observando pessoas realmente inteligentes fazendo coisas”, segundo a revista Wired.

A proposta, porém, provocou forte reação interna. Mais de 1,6 mil funcionários assinaram uma petição pedindo o fim do programa, enquanto alguns chegaram a comparar a Meta a uma “fábrica de extração de dados”.

A situação se agravou após uma falha de segurança expor conversas privadas e indicadores de desempenho de funcionários para toda a empresa. Diante do incidente, a Meta suspendeu o projeto.

“Embora não tenhamos evidências de que os funcionários tenham acessado esses dados, estamos suspendendo a iniciativa enquanto investigamos o ocorrido”, informou um porta-voz da companhia.

Pressão externa

Enquanto tenta reduzir sua dependência das redes sociais, a Meta amplia investimentos em novos produtos, como óculos inteligentes, e avalia o lançamento de um aplicativo de apostas online chamado Arena, possivelmente em parceria com a Polymarket e a Kalshi, segundo o The New York Times.

Ao mesmo tempo, a empresa enfrenta uma série de desafios judiciais. Em março, um júri de Los Angeles responsabilizou a Meta, pela primeira vez, pelos efeitos da dependência das redes sociais. Um dia antes, outra decisão, no Novo México, apontou negligência da empresa na proteção de menores. A companhia recorre das decisões, mas novos julgamentos estão previstos para este ano.

Na frente tecnológica, a Meta também enfrenta dificuldades para acompanhar concorrentes como Google, OpenAI e Anthropic na disputa pelos modelos de IA mais avançados. Internamente, sucessivos atrasos e o desempenho abaixo das expectativas de seus modelos geraram insatisfação entre pesquisadores e executivos.

Em entrevista ao Financial Times, o cientista Yann LeCun, vencedor do Prêmio Turing considerado o Nobel da Computação, afirmou que a busca por uma “superinteligência” baseada exclusivamente em grandes modelos de linguagem (LLMs), estratégia adotada pela Meta, pode representar “um beco sem saída”.

Você pode gostar

Juntas, as três obras representam um investimento superior a R$ 27,5 milhões.
As ações ocorreram, simultaneamente, em Fortaleza e nas cidades de Caucaia, Maracanaú, Pacatuba, Iguatu e São Gonçalo do Amarante e em Brasília
O serviço funcionará nos dias 1º, 2 e 3 de julho, durante a programação do São João, e também no dia 4 de julho

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *