O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido nacionalmente como Chorão, convocou caminhoneiros para uma paralisação em todo o país a partir da madrugada desta segunda-feira (13). A mobilização deve ter como principais pontos de concentração os portos e centros logísticos de grande movimentação.
Segundo a entidade, o objetivo do movimento é pressionar o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, a colocar em votação a Medida Provisória nº 1.343/2026, que trata de temas considerados prioritários para a categoria, como o piso mínimo do frete, condições de pagamento aos transportadores e anistia de multas relacionadas a manifestações anteriores.
A proposta tem prazo de validade até a próxima quinta-feira (16). Caso não seja aprovada pelo Congresso Nacional até essa data, perderá seus efeitos. A convocação da paralisação ocorre após duas semanas de negociações em Brasília sem que a matéria fosse incluída na pauta do plenário do Senado.
Apesar da expectativa de que o texto seja apreciado nesta terça-feira (14), Wallace Landim orientou os caminhoneiros a evitarem novas viagens e permanecerem parados até que haja confirmação oficial da votação.
Representantes do movimento afirmam que a continuidade ou ampliação da paralisação dependerá do andamento da proposta no Senado. Por outro lado, setores ligados ao agronegócio e à indústria manifestam preocupação com alguns pontos do texto, argumentando que as mudanças poderão aumentar os custos do transporte e da produção.
Aprovada pela Câmara dos Deputados em 17 de junho, na forma do Projeto de Lei de Conversão nº 6/2026, a medida estabelece um piso salarial nacional de R$ 5 mil para motoristas contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que atuam em operações de longa distância.
O projeto também prevê punições para empresas que remunerarem transportadores abaixo do piso mínimo do frete, com multas que podem variar de R$ 100 mil a R$ 1 milhão em casos de reincidência. Além disso, determina que o pagamento aos transportadores autônomos seja realizado em até 30 dias úteis, com adiantamento mínimo de 70% do valor contratado.
Entre outras mudanças, a proposta altera regras de fiscalização do excesso de peso em veículos de carga, amplia limites para determinadas operações e concede anistia a multas aplicadas durante bloqueios de rodovias ocorridos após as eleições de 2022.
Editada inicialmente em março deste ano, após ameaças de paralisação motivadas pela alta do diesel e por reclamações sobre o descumprimento do frete mínimo, a medida também determina a atualização semestral da tabela de fretes pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Caso seja aprovada e sancionada, o Governo Federal terá prazo de 180 dias para regulamentar as novas regras.
Fonte: Band News
