A Prefeitura de Belo Horizonte oficializou um decreto que restringe a publicidade de casas de apostas em espaços públicos da capital mineira. A medida, assinada pelo prefeito Álvaro Damião (União Brasil), impede a divulgação de empresas do setor em locais como pontos de ônibus, praças, equipamentos públicos e eventos promovidos pelo município, sob a justificativa de reduzir a exposição da população aos riscos do vício em jogos.
O decreto, publicado em 14 de julho de 2026, também estabelece que anúncios de plataformas de apostas não poderão ser instalados em um raio de até 100 metros de escolas, museus e outros espaços voltados ao atendimento de crianças, adolescentes e jovens. Segundo a prefeitura, a iniciativa busca reforçar ações de conscientização e proteção ao público mais vulnerável.
A decisão, entretanto, chamou atenção por envolver o próprio prefeito, que antes de assumir o comando da capital mineira teve atuação frequente na divulgação de empresas de apostas esportivas. Quando apresentava um programa esportivo na televisão, Álvaro Damião participou de campanhas publicitárias para plataformas do setor, incentivando telespectadores a realizarem apostas e divulgando promoções oferecidas pelas empresas.
Agora, o discurso é diferente. O prefeito afirma que a administração municipal não pretende incentivar a expansão desse mercado em espaços públicos e defende que o poder público tem responsabilidade em alertar sobre os impactos que o jogo pode causar, especialmente em relação ao vício e ao endividamento.
A nova regulamentação não impede a publicidade em propriedades privadas, desde que respeitadas as limitações previstas na legislação municipal. A expectativa da prefeitura é reduzir a presença das campanhas de apostas em áreas de grande circulação e evitar que esse tipo de publicidade alcance, principalmente, crianças e adolescentes.
A mudança de posicionamento de Álvaro Damião gerou repercussão e abriu debates nas redes sociais sobre a coerência entre sua atuação passada como divulgador de plataformas de apostas e a atual política adotada pela administração municipal. Enquanto apoiadores defendem que gestores podem rever posições diante de novas evidências sobre os impactos sociais das apostas, críticos apontam contradição entre o discurso atual e o histórico recente do prefeito.
